Vêem as casas prometidas ao binóculo- Professores que vivem nas escolas do Rangel recebem ameaças de instituições
Professores de diversas escolas, que aguardam realojamento há mais de 12 anos, no município do Rangel, como é o caso dos das escolas 17 de Setembro, Magistério Primário da Vila Alice, acusam a antiga directora municipal da educação, Joana Torres, de ser responsável pelos desvios das residências que o governo havia disponibilizado para profissionais do giz. Hoje, veem o seu futuro ameaçado, fruto de constantes ameaças que recebem das autoridades.
Por: Cambundo Caholua e Cambuta Vieira
De acordo com uma denúncia de um professor já reformado, em 2012, o Governo Central havia baixado uma orientação, na qual todos os professores e profissionais de educação que viviam no interior das escolas, deviam ser realojados para as urbanizações que estavam a ser criadas. No município do Rangel, os profissionais da educação, nessa condição, também foram abrangidos e, assim, teriam direito a uma residência cada.
Diz a denúncia, que alguns professores foram beneficiados, mas outros ficaram por receber. Passados mais de uma década desde que se fez o cadastramento, muitos daqueles profissionais continuam a viver nas escolas e com riscos de serem despejados, a qualquer momento, pelo Director Municipal da Educação, José Filho, bem como pelo actual administrador do município do Rangel, Lourenço Luís Domingos.
Refere que depois do cadastramento feito pelo Governo Provincial de Luanda, cada profissional recebeu uma ficha com um determinado código, com garantias de serem todos realojados.
Segundo o denunciante, as escolas 17 de Setembro, o Magistério Primário da Vila Alice, a JOTA e a escola número 504 (a ex-Dom Moisés Alves de Pinho) junto às Jembas, no entanto, são as que até hoje ainda têm vários moradores.
Há professores a viverem nas escolas desde 1994 ou um ano depois e virem do interior do país, fugindo da guerra. O assunto é do conhecimento da Casa Civil da Presidência da República, porém, em 2012, quando a orientação veio de cima, esta foi a responsável que encabeçou o projecto.
Revelou que no mesmo processo, trabalhou também o general Tavares que, na altura, era o Presidente da Comissão Administrativa de Luanda, bem como a principal visada, antiga directora da repartição municipal da educação do Rangel. "A mesma sabe para onde foram parar as casas. Então, nós estamos preocupados e esperamos que tudo seja resolvido", apelaram.
Dados em posse deste jornal indicam que os professores que ainda se encontram a viver nas escolas, no município do Rangel, estão a ser ameaçados no sentido de abandonarem as escolas, porque, a qualquer momento, podem ser retirados. Para o efeito, já foram ouvidos pela Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE), a mando da antiga directora da educação.
"Estamos preocupados porque o novo delegado da educação e o novo administrador municipal do Rangel têm intenção de retirar o pessoal do local, inclusive já se aventa a hipótese de se colar selos com as pessoas lá dentro", denuncia um professor, acrescentando que o assunto é do conhecimento do Governo Provincial. Já escreveram para assembleia nacional, a fim desta instituição intervir.
O assunto é sério. Nos dias 27 e 29 de Agosto do ano em curso, foram notificados todos os moradores para irem prestar declarações na administração municipal do Rangel. Entretanto, o chefe do gabinete jurídico da administração municipal simplesmente disse que não tinha muita coisa a fazer, por apenas estar a cumprir ordens.
"Devo aqui também salientar que o director municipal da educação, o Sr. José Filho, ameaçou uma das moradoras, alegando que é advogado" assinalou.
A equipa deste jornal deslocou-se à administração municipal do Rangel no passado dia 30 de Setembro, com intuito de ouvir o seu parecer, mas sem sucesso. Na manhã de quinta-feira, 09, deslocou-se até à administração, pela segunda vez, e não foi atendida.







