Angola acelera eliminação do cancro do colo do útero com campanha de vacinação
Angola está alinhada com a estratégia global da OMS para acelerar a eliminação do cancro do colo do útero como um problema de saúde pública até 2050.
Para o alcance deste objectivo, um dos pilares essenciais é a vacinação de 90 por cento das meninas, entre os 9 e 12 anos, de acordo com a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, esta segunda-feira, 13 de Outubro, em Luanda, durante o lançamento da Campanha Nacional de Vacinação contra o cancro do colo do útero, a decorrer de 27 de Outubro a 7 de Novembro deste ano.
Com vista a reforçar o compromisso com a saúde preventiva e com as novas gerações,
a Primeira-Dama anunciou que, a partir de Janeiro de 2026, a vacina contra o cancro do colo do útero passará a integrar o Plano Nacional de Vacinação de Rotina para as meninas de 9 anos.
“A vacinação contra o cancro do colo do útero é uma dessas chaves para o futuro. Um futuro onde as nossas meninas cresçam saudáveis, as nossas famílias prosperem e o nosso país se fortaleça. Por isso, esta campanha também é um investimento para o futuro de Angola”, sublinhou.
Ana Dias Lourenço pretende que a Campanha Nacional de Vacinação seja um compromisso com a vida, dignidade, com o futuro, e também uma celebração de esperança e da força do povo neste 50º aniversário da independência nacional.
Inicialmente, esclareceu, a campanha abrangerá meninas com idades entre 9 e 12 anos, inseridas no sistema escolar público, público-privado e privado. Posteriormente, meninas fora do sistema de ensino serão vacinadas por equipas móveis.
Na ocasião, Ana Dias Lourenço lembrou que 35 por cento da população angolana tem entre 10 e 24 anos. Por esta razão, “garantir uma saúde sólida e sustentável a este grupo demográfico é também investir no futuro e no desenvolvimento económico e social do país, e no retorno nesse investimento”.
Segundo a Primeira-Dama, em 2024, foram tratados 235 casos, embora a incidência real seja provavelmente muito superior devido às limitações de diagnóstico.
“Estimativas da OMS, baseadas na incidência média e na taxa de letalidade, consideram que em Angola mais de duas mil mulheres adoecem de cancro do colo do útero. E todos os anos, mais de metade perde a vida”, acrescentou Ana Dias Lourenço, sublinhando que estes números indicam a urgência de um combate efectivo a este problema de saúde pública e da acção para a prevenção.
De igual modo, de acordo com as estatísticas dos últimos cinco anos do Instituto Angolano do Controlo do Câncer, o cancro do colo do útero ocupa consistentemente o segundo lugar entre as neoplasias malignas mais diagnosticadas em Angola.
Ana Dias Lourenço, embaixadora da Campanha de Vacinação, frisou que o país teve que aguardar 16 anos para a materialização desta campanha.
Entre os diversos motivos, destacou a produção global limitada da vacina, a elevada procura e os elevados custos que tornavam inviável a aquisição da vacina por países de baixo e médio rendimentos, além da exigência de uma cadeia de frio muito mais robusta que as outras vacinas.
A Primeira-Dama da República considerou as mulheres angolanas guardiãs da saúde nas famílias, porque estiveram na linha da frente para preservar a saúde, o bem-estar e o equilíbrio emocional das famílias, e apelou a participação activamente nesta campanha para que seja um sucesso.
O apelo foi extensivo às organizações sociais, particularmente as femininas das cidades e das zonas rurais, pelo facto de serem vozes de confiança e de mobilização das famílias. O objectivo é fazer com que as famílias compreendam a importância desta vacina e aceitem a prevenção como um direito e uma garantia de um futuro saudável.
Por sua vez, o representante da OMS em Angola, Indrajit Hazarika, disse que a Campanha Nacional de Vacinação contra o Cancro do Colo do Útero representa um compromisso firme do país com a saúde da mulher, em plena consonância com a Estratégia Global de Eliminação do Cancro do Colo do Útero e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
Ao garantir a vacinação, disse Indrajit Hazarika, o Governo de Angola está a dar um passo histórico para que as raparigas cresçam num país onde o cancro do colo do útero possa ser evitado e não constitua uma sentença de morte.
Neste sentido, alertou ser imperativo mobilizar e envolver as comunidades e apelou a todas as forças vivas da sociedade, profissionais de saúde, líderes locais, professores, jornalistas, influenciadores, pais e mães, para se tornarem protagonistas desta missão colectiva.
O acto de lançamento contou igualmente com a presença das ministras da Saúda e da Educação, Sílvia Lutucuta e Luísa Grilo, respectivamente, além de representantes de organizações internacionais e da sociedade civil.
A campanha é apoiada pelo UNICEF, PNUD, Gavi, OMS, Banco Mundial, Banco Europeu de Investimentos e do envolvimento da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, na qualidade de embaixadora.
Fonte: CIPRA







