Mulher construiu no terreno do marido – Cidadão de 44 anos recusa-se a abandonar residência erguida pela ex-esposa no Kilamba Kiaxi, há relatos de tentativas de homicídio
Um cidadão nacional de nome Manuel Pinto, de 44 anos de idade, morador do bairro Golfe II, município do Kilamba Kiaxi, é acusado de várias tentativas de homicídio contra a sua ex-esposa, de 38 anos, para se apropriar do imóvel no qual a mesma alega que injectou 80 por cento do dinheiro para a construção, durante os 12 anos que viveram juntos.
Por: Kihunga Bessa
Falando em exclusivo ao Na Mira do Crime, a vítima relatou que se encontra separada há três anos, devido às constantes ameaças e tentativas de morte por parte do parceiro, com quem teve dois filhos.
"Tudo começou quando, em 2010, decidimos abandonar a casa de renda onde vivíamos, porque, na altura, eu trabalhava no privado e fomos viver no seu terreno, onde havia apenas um anexo de um quarto e sala, em péssimas condições, controlado pelo seu sobrinho", explicou.
Segundo a entrevistada, em 2014, conseguiu uma oportunidade para ingressar no Ministério do Interior. Informou o parceiro sobre tal conquista, mas este não consentiu, usando palavras pejorativas de que “todas as mulheres polícias são oferecidas". Sem dar ouvidos ao marido, que se encontrava desempregado, ela não deixou escapar a sorte.
Acrescentou que, tão logo começou a trabalhar na função pública, decidiu requalificar a casa, com autorização do próprio esposo, para um edifício de primeiro andar, pensando que as coisas fossem a melhorar. "Eu decidi investir todo o meu dinheiro do salário na casa, sabendo que somos uma família e temos filhos", disse.
Referiu que o ciúme tomou conta do seu esposo, que não a deixava chegar tarde do serviço, nem sair de casa para visitar os familiares. Chamava-a nomes, pejorativos, para além dos maus-tratos. Inclusive, o seu sobrinho a espreitava no quarto, observando sua nudez, depois do banho pelo menos em três ocasiões. Esta atitude foi sempre denunciada ao marido, mas este mantinha-se frio como se de um acto legítimo se tratasse.
A vítima informou ainda que, após notar que, diante de todo o esforço que fazia, o esposo nem sequer ajudava na construção da casa, decidiu parar. E tudo só piorou quando lhe pediu autorização para dar início à requalificação da casa da sua mãe viúva.
"Certo dia, à noite, enquanto eu dormia, ele pegou numa faca e quis matar-me. Mesmo assim, dei-lhe oportunidade para mudar de comportamento, mas, infelizmente, foram várias tentativas de morte em frente dos nossos filhos menores de idade. Não tive outra opção. Em Outubro de 2022, decidi abandonar a relação, sob pena de um dia perder a vida", afirmou, ressaltando que, depois da separação, o esposo recusa-se a deixar a casa para os filhos e dirigiu-se ao Tribunal da Comarca de Belas, na Sala da Família, pedindo a guarda das filhas para que passem mais tempo com ele.
Avançou ainda que, no dia 9 de Maio do ano passado, depois de mais uma tentativa de homicídio em via pública, dirigiu-se ao SIC-Luanda, participou a ocorrência, e foi consequentemente aberto o processo n.º 7871/024-VD, sob instrução de Sebastião João, que continua sem tramitação, afirmando que, até ao momento, o indivíduo não aceita a separação e continua a proferir ameaças de morte à cidadã, que diz sentir-se insegura e clama por ajuda aos órgãos competentes.
O Na Mira do Crime contactou via telefónica o acusado, para reagir às acusações que pesam sobre si. Este disse não poder dar mais detalhes, visto que o processo se encontra no tribunal, e está sob responsabilidade do seu advogado.
"Não posso dar nenhum detalhe sobre o caso porque tenho um advogado, mas conheço quem fez esta denúncia", afirmou.
De seguida, contactou o porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-Chefe Fernando Carvalho, para saber sobre a tramitação do processo e aguarda pelo seu pronunciamento.







