Família Vicente e camponeses acusam administração do Kilamba de usurpar 12 hectares de superfície
Um terreno de 12 hectares está alegadamente a ser usurpado pelos funcionários da administração do Kilamba que, nesta semana, demoliram residências e arrancaram cultivos dos camponeses. Os proprietários, nomeadamente a família Vicente e um grupo de camponeses dizem que estão a ser muito maltratados pelos usurpadores.
Por: Solange Figueira
Na última terça-feira, um grupo de camponeses foi retirado do espaço à força, ao ponto de todas as casas e cultivos serem destruídos pelo Comandante da Coordenação de Policiamento de Unidade (CPU), identificado por Paulo, e pelo Comandante da Esquadra 51, identificado por Lito. Estes foram ao espaço com um aparato de militares e polícias, armados até aos dentes. "Agrediram e destruíram as casas e plantações, deixando mais de 30 camponeses ao relento.
A família Vicente alega que o terreno em causa existe há mais de 40 anos, e desde 2024, a administração do Kilamba tenta apropriar-se dele. Revela ainda que espaço está legalizado em nome da Senhora Guilhermina Viegas Vicente, de 82 anos de idade, herdeira e única filha em vida do falecido Senhor Viegas Vicente.
Aponta directamente o Administrador para a Área Social do Kilamba, Senhor Zito Prata, como principal mentor da usurpação.
Guilhermina Viegas, anciã de 82 anos de idade, conta que a sua filha caçula está a sofrer perseguição e quase foi sequestrada no domingo por estar a defender o terreno da família.
"O meu terreno é antigo, temos desde a altura em que as pessoas começaram a habitar no Bairro Bita. Meu pai foi preso político e, depois de ser libertado, foram-lhe dados vários terrenos.
Ela assegura que um grupo de invasores que tem convênio com a administração do Kilamba. O referido grupo integra os senhores Chaves, Vicente, Lucas e Cafumana. "No mês passado, o senhor Chaves foi ter connosco dizendo que teria uma actividade da Igreja Bom Deus e queriam fazê-la no nosso espaço. Nós não aceitamos. Ficamos surpresos quando na terça-feira o senhor Chaves apareceu acompanhado por militares e polícias e destruíram as lavras e as casas dos camponeses", disse, referindo que a administração demonstrou uma atitude estranha, ao pagar pessoas que se fazem passar por novos donos.
A anciã mostrou toda a documentação que comprova a titularidade do terreno. "Tenho toda a documentação de legalidade do terreno. O engenheiro Garibaldino, irmão do administrador do Kilamba, também faz parte do esquema", que pretende adulterar a documentação.
Não vê por que razão bateram nas pessoas, destruíram toda a produção de mandioca, repolho e batata, numa altura em que o Ministério da Agricultura, tem documentos que legalizam o terreno.
Pede, por isso, ajuda ao Presidente da República, porque "querem matar a minha filha por causa de um terreno que é nosso".
Esperança Monteiro Vicente, filha da Senhora Guilhermina, diz que quando nasceu já encontrou o terreno que a sua mãe recebeu como herança familiar. "Os camponeses estão na rua há 7 dias. Temos este terreno desde que éramos crianças e sofremos a primeira perseguição por parte dos fiscais da administração do Kilamba e o senhor Chaves que queriam a todo custo usurpar", contou.
A reportagem deste jornal ouviu também Zito Prata, administrador para a Área Social do Município do Kilamba, acusado pela família Vicente de ser o mentor da usurpação do terreno em questão. Este alegou não ter conhecimento do caso, por estar de férias.
"Aconselho-vos a irem para à administração do Kilamba a fim de receberem uma resposta ou entregarem uma carta endereçada ao Administrador.
Na Administração do Kilamba, a nossa equipa de reportagem foi recebida pelo chefe do Gabinete de Comunicação que disse não haver ninguém ligado à área técnica. Trata-se de uma resposta que se tornou recorrente, segundo os camponeses.







