Fiscais da administração municipal do Kilamba Kiaxi acusados de criar mercado clandestino e incentivar a venda desordenada na rua da Teixeira
No município do Kilamba Kiaxi, os fiscais afectos à administração municipal estão a ser acusados de criarem um mercado clandestino, no interior do bairro Malangino, precisamente na rua Teixeira, incentivando a venda desordenada, na qual os mesmos, através de uma cidadã, cobram 200 kwanzas a cada vendedeira, e, deste modo, quando as comerciantes atrasam nos pagamentos são maltratadas e perdem os seus produtos.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com denúncias de moradores e comerciantes, todos os dias aparecem no local três fiscais, que vão para o mercado a fim de proteger a cidadã, conhecida apenas por Feta, que durante o dia tem a responsabilidade de cobrar as cerca de 200 pessoas que aí se dedicam em venda de diversos produtos, de forma desordenada.
Entretanto, a mesma cidadã, alegam, não é funcionária da administração municipal do Kilamba Kiaxi, foi apenas recrutada para os interesses daqueles funcionários públicos.
O Na Mira do Crime sabe que a senhora durante o dia chega a cobrar aproximadamente 40 mil kwanzas, que ronda por semana 200 mil kwanzas.
Deste valor, segundo os denunciantes, é retirado 50 mil kwanzas a cada semana, que é reservado a um alto responsável da fiscalização da administração municipal em referência, no sentido do mesmo dar proteção aos fiscais acusados.
Um outro dado, é que durante o período de venda, as vendedeiras nem sempre têm dinheiro para o pagamento, por esse factor, são recebidos os produtos de venda e posteriormente chantageadas a pagar mais do que deviam.
Contam ainda que mulheres atraentes que perdem os negócios, são assediadas sexualmente, e, em troca de receberem de volta os seus negócios, obrigadas a cederem aos caprichos sexuais dos fiscais.
Do mesmo modo, os moradores reclamam sobretudo a falta de higiene no local, e alegam que, uma vez que são cobradas taxas às vendedeiras, a fiscalização tinha que se responsabilizar também da limpeza da zona.
Uma das senhoras ouvidas por este jornal, disse que no interior do mercado há lá alguns meninos que têm realizado limpeza, para o efeito, cobram também 50 kwanzas a cada uma das senhoras que aí vende.
"Nós pedimos apenas que passem a limpar, porque torna-se muito gasto. Pagamos 200 kwanzas aos fiscais, depois mais 50 kwanzas aos rapazes, fica muito caro para nós as comerciantes", assinalou.
"Quanto as atitudes da moça, já estamos habituadas, há alguns dias ela levou o negócio de uma colega, não queria devolver, ainda revendeu numa outra senhora e ria-se da colega", concluiu.
"Nunca fui assediada, talvez por ser já de idade, mas as colegas aqui é que contam. Outras também cedem mesmo, gostam, já outras é mesmo por chantagem, e para ver o seu negócio de volta aceitam a proposta de ir na cama", relatou uma outra vendedeira sem aceitar ser identificada.
"A senhora que cobra, vive mesmo aqui no bairro, não trabalha na administração. O que ela faz com as vendedeiras é triste, quando as senhoras dizem que ainda não têm valor para pagar, levam o negócio, e depois pedem multas, exigem monte de coisas", denunciou um morador.
Conta que já tentou denunciar algumas vezes a Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE), mas sem sucesso.
Uma equipa deste jornal deslocou-se na sexta-feira, 3, até administração municipal do Kilamba Kiaxi, a fim de ouvir aquela instituição pública, mas passados uma semana e alguns dias não houve nenhum sinal.







