Empresa de segurança contratada pela Genea-Angola está a ser acusada de espalhar terror no bairro Patriota por causa de 03 hectares
Os moradores que residem na rua das Acácias, bairro Patriota, município de Talatona, vivem momentos de terror depois de serem surpreendidos, na tarde do dia 14 do mês em curso, pela fúria de indivíduos afectos à suposta empresa de segurança privada, que dizem agir a mando da empresa Genea-Angola.
Por: Cambuta Vieira
Victória Francisco Vicente, moradora, afirmou que é proprietária de um terreno de 3 hectares que pertenceu ao seu malogrado esposo, Abílio Bota da Silva, desde 1983, e alega que residiam no mesmo espaço, onde praticavam agricultura. Construíram uma casa de um quarto e sala, um tanque de água e um armazém onde pretendia ver gás butano.
Contou que conheceu o senhor Paul Marcius, representante da Genea-Angola quando este apareceu no seu terreno, em companhia de um cidadão angolano, alegando que pretendiam adquirir tal espaço. O negócio não evoluiu, porque o senhor Marcius, alegadamente, não estava com a documentação completa.
"Na época, não fizemos negócios porque os documentos da parte do senhor Paul estavam incompletos, eles retiraram-se e deixaram um cartão de visita com a recomendação de que poderia ligar caso mudasse de ideia, coisa que nunca se concretizou", narra.
Passado algum tempo, o seu marido ficou doente e mudaram-se para Viana para se tratar. "Já não conseguia visitar o espaço com maior frequência. De repente, me deparo com uma vedação de chapas, em 2010, numa altura em que o estado de saúde do meu marido se agravou e tivemos de viajar, mas ele veio a morrer em 2012", disse.
Como viúva, eu tratei a documentação do espaço que é de três hectares, enquanto o processo da documentação e legalização decorria.
Em 2021, o engenheiro Sandra, chefe do gabinete técnico do Benfica, confrontou os documentos da queixosa, bem como os documentos da Genea- Angola no IGCA e constatou-se que ela era a legítima proprietária. No mesmo ano, lembra, começou a lotear os espaços sem problemas nenhuns.
A denunciante conta que em 2021, decidiu arrancar com as obras, tendo seguido todos procedimentos administrativos e pagamentos do RUPE, na administração municipal do Talatona.
"Quando começamos com as obras, em 2021, os fiscais passavam e faziam o seu trabalho normal, que é de fiscalizar a documentação. Por isso, fomos erguendo as nossas casas sem problemas nenhuns", lembra.
No decorrer das construções, apareciam forças da ordem com documentos, acompanhados de 20 a 30 elementos, mas nunca chegaram a usar a força.
Segundo os entrevistados, tudo começou a ficar azedo em 2022, quando apareceram supostos efectivos do SIC a bordo de uma viatura e desencadearam ameaças, tendo levado alguns moradores sem mandado nenhum.
"Aquilo era chegar, intimidar, expulsar as pessoas, e detiveram outras 12, tendo algumas, com medo, abandonado as suas casas", disse.
Desde aquele ano até hoje, as obras seguiram o seu curso normal, apenas aparecia fiscais a controlar a documentação das obras.
Entretanto, no passado dia 14 de Outubro, por volta das 14 horas, primeiro apareceram duas motorizadas da polícia da ordem pública, ficaram poucos minutos, depois apareceram duas senhoras com vestes de escrivães, mas não se identificaram. Estás se faziam acompanhar de um mini-autocarro de cor branca, no interior do qual havia homens munidos de armas de fogo, do tipo fuzil, todos trajados de preto.
"Não houve disparo de arma de fogo, intimidaram e tiraram algumas pessoas para fora das suas residências para eles se instalarem nelas", explicaram.
"Esses são os famosos caenches que nos disseram que o dono do espaço - a Genea-Angola- é que os orientou a fazer isso", relataram os moradores que já viram 4 famílias a abandonarem as suas residências, por causa do medo.
O que os inquieta, agora, é saber que o processo foi transferido para as mãos do juiz Isidro Coutinho, da terceira secção enquanto já decorria os seus trâmites.
"Nós soubemos que a Genea-Angola tratou outro direito de superfície, mudou da segunda secção para a terceira secção, do tribunal de comarca de Luanda, porque a juíza anterior demonstrou idoneidade no caso, questionando-os se são legítimos proprietários", alertaram.
Pesquisas apontam que João Maria Moreira de Sousa, na altura, foi procurador. Este cedeu-lhes o espaço que está localizado no Vale da Maga, onde a empresa Genea-Angola construiu o condomínio Vila-Vilaxe.
A equipa deste jornal deslocou-se até à empresa Genea-Angola, mas os responsáveis de comunicação alegaram que não podiam dar entrevistas nem fotografar os documentos.
Questionados o porquê daquela força privada, e o uso de fuzis, estes responderam que "nós contactamos uma empresa privada que fez uma análise de risco e aconselhou-nos a fazer isso, pois a senhora que se intitula proprietária é uma falsa".







