MJA diz que a culpa é do MINFIN - Funcionários da empresa de limpeza e jardinagem reclamam da falta de salários no Hospital Divina Providência
Um grupo composto por 10 funcionários, afectos à empresa MJA, que presta serviços de jardinagem, limpeza e desinfestação no hospital Divina Providência, dizem estar há 7 meses sem receber os seus ordenados. A empresa já reagiu e diz que não consegue pagar os salários, porque o Ministério das Finanças não disponibilizou o dinheiro para o efeito.
Por: Cambuta Vieira
Na manhã do dia 23 do mês em curso, a equipa deste jornal deslocou-se até ao hospital Divina Providência para ouvir o clamor dos funcionários que prestam serviços de limpeza e jardinagem da referida instituição, e dizem estar agastados com a falta dos seus ordenados há 07 meses.
Segundo uma denunciante, está na empresa há um ano e cinco meses, no princípio, ela e demais colegas recebiam o salário com bastantes dificuldades, mas a partir do mês de Fevereiro nunca mais receberam nada. “Sempre que vamos reclamar na direção da empresa nos mandam aguardar, nós vamos trabalhando com a esperança de que teremos o salário”, disse, revelando que ganham um salário de 42 mil kwanzas, incluindo transporte e alimentação. Disse mais: a empresa não dá condições condignas aos funcionários que passam noites inteiras nos papelões, sem nada para se cobrir.
Para os funcionários, a empresa MJA só não presta serviços no hospital Divina Providência; tem ainda o centro de saúde da Ilha, da Boavista e do Ambriz. “Quando nos apercebemos que o problema se passava também com os colegas das outras instituições, então decidimos ir todos para a direcção da empresa”, frisou.
"No dia 20 do corrente mês, recebemos uma ligação a dizer que o dinheiro já estava nas nossas contas, que era uma questão de tempo que logo vai cair, mas até à presente, as contas continuam zeradas”, confirmam.
“Eu já não sei o que fazer, eu gasto 1.200 kwanzas de táxi, tenho filhos para sustentar, vivo na casa de renda, o meu esposo é quem me ajudava, mas agora está impaciente e me sugeriu a abandonar esta empresa, por não pagar salários”, relatou com nostalgia, olhando para o salário que não sobe. “A única coisa que sobe é o valor a pagar por cada falta, que passou de 04 mil para 07 mil kwanzas”, revelou.
Há casos, na empresa, de funcionários que apenas fizeram 02 meses de serviço e só receberam salário uma vez, porque alegadamente o Estado não pagou as empresas. Dizem que a situação pode piorar se o funcionário reclamar.
"Nós trabalhamos em condições desumanas, não temos protecção. Às vezes, limpamos o hospital sem luvas, sem detergentes, e se o funcionário recamar, lhe é aplicada uma falta por indisciplina", denunciam, apontando o dedo à senhora que supervisiona o hospital Divina Providência, apenas conhecida por Belvânia, tida como bastante arrogante, e que tem desviado o dinheiro que lhe é dado para ajudar no transporte dos funcionários.
“No mês de Julho, fui até à esquadra da polícia que está defronte ao hospital, para fazer uma participação, me disseram que esse caso não era da competência deles”, lamentou.
Outro lesado disse que entrou na empresa no dia 19 de Junho. "O senhor André, que também é um dos supervisores da empresa havia lhe dito que o salário era de 70 mil, mas que não haveria nenhum atraso. Para o meu espanto, no fim do mês não me deram nada e até hoje, não vejo dinheiro nenhum”, rematou, salientando que já houve senhoras que caíram de fome, e o dono da empresa deu apenas 5 mil kwanzas para socorre-la.
A equipa deste jornal ouviu o proprietário da empresa, identificado por Benjamim José Afonso que disse que nunca maltrataram ninguém. “O transporte não faz parte do contrato, apenas valores de alimentação que é de 8 mil kwanzas e que vem alocado no salário”.
Sobre o atraso salarial, o responsável disse que “estão há 7 meses sem salário, porque o Ministério das Finanças não paga. Eu remeti no dia 15 deste mês um documento ao referido ministério e pedi um crédito a um banco privado, tão logo o dinheiro cair eu vou pagar os salários em atraso. Nós não conseguimos construir um sítio para eles dormir, e já reunimos com a direcção da Divina Providência por 4 vezes para falarmos desse assunto, mas, até ao momento, dizem que não têm espaço".







