É a vez dos psicólogos entrarem em campo – Polícia preocupada com suicídios e homicídios na corporação
Nos últimos anos, falar de homicídios e suicídios no seio dos efectivos da Polícia Nacional não é coisa de outro mundo, pois é um fenómeno que faz morada na sociedade em que vivemos, onde os problemas do dia-a-dia batem as partes de todos os cidadãos.
Por: Lito Dias
Homicídios perpectrados não poucas vezes por polícias embaralham sobremaneira a população, sobretudo aqueles cidadãos que, desde pequeno, outros mais tarde, carregam consigo a ideia de que o polícia garante a ordem, a defesa da segurança e tranquilidade públicas, o asseguramento e protecção das instituições, dos cidadãos e os respectivos bens, contra criminalidade violenta ou organizada e outros tipos de ameaças e riscos.
Embaralham porque o garante dessa gama de responsabilidades acaba sendo perigoso quando se confia muito nele. Hoje, não é só o gatuno, o violador ou agressor que têm medo da polícia. Qualquer cidadão tem dificuldades de destrinçar o “bom polícia” do “mau Polícia”, pois todos convergem no uso da mesma farda e empunhando as mesmas armas.
Sob capa de proteger, pode matar indiscriminadamente. Nalguns casos, quando vai a juízo, usa argumento de ter agido em legítima defesa ou infunda situações que impedem o pacato cidadão de se proteger.
No entanto, nem mesmo as armas que carregam ou as fardas que usam os isenta de problemas gerais que a sociedade enfrenta, desde a fome, a sede, a pobreza, entre outros problemas existenciais. E quando esses problemas não são resolvidos, os nossos polícias, como qualquer outro cidadão, embebe-se em transtornos mentais, tido como o factor de risco mais importante para homicidas ou suicidas, em que se inclui a depressão e transtornos por uso de drogas e alcoolismo. Podem surgir também traumas emocionais, diagnósticos de doenças graves e bullying, que mal geridos proporcionam suicídios.
Preocupada com a situação de suicídios e homicídios que tiveram como caso mais recente o de um subintendente da Polícia Nacional, que, por uma razão qualquer, matou a mulher e, de seguida, tirou a sua própria vida, essa instituição do Ministério do Interior pretende ter uma ideia sobre as reais causas do fenómeno na corporação.
De uma coisa se tem certeza: entre transtornos mentais, uso indevido de drogas, estados psicológicos, situações culturais, familiares e sociais, genética e experiências de trauma ou perda, um desses apectos pode estar relacionado com o agudizar deste fenómeno na PNA.
Pelo que, olhando para esse quadro negro, a corporação orientou, esta terça-feira, todos os comandantes e directores dos órgãos sedeados em Luanda no sentido de dispensarem os efectivos, mestres e licenciados em psicologia para participarem de um encontro com o 2º Comandante-Geral, da Polícia Nacional, Orlando Paulo Jorge Bernardo.
Sem uma agenda bem definida, fontes deste Jornal, acreditam que o chamamento do Director Nacional de Pessoal e Quadros da PNA, pretende com os sociólogos, fazer um estudo sobre as reais causas do aumento de suicídios e homicídios, envolvendo pessoal da polícia.
A nossa fonte, garante que os critérios de selecção do pessoal da corporação também tem sido posto em causa, tornando-a mais vergável. “Com dinheiro, qualquer pessoa, pode ser polícia”, exemplificou.







