Efectivo do SIC "Zico" acusado de matar três pessoas no Cazenga começou a ser julgado: Diz que não sabe se foram os disparos que efectuou que mataram às três pessoas porque haviam mais dois militares (armados) consigo
Arrancou nesta quarta-feira, 5, o julgamento do processo n.º 680/25-D, em que é arguido Uatucaneto Moreira (Zico), efectivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), acusado do crime de homicídio qualificado, em que foram vítimas três cidadãos nacionais, dos quais dois membros da mesma família: Francisco Adriano Manuel, de 65 anos de idade, Capitão das Forças Armadas Angolanas (FAA), com número de ordem 725/06 – NIP 83129505, licenciado à reforma; José Paulo de Almeida, de 22 anos de idade (neto da primeira vítima); e Dilson Paulo Gabriel, de 19 anos de idade (vizinho), todos moradores do bairro Curtume, município do Cazenga.
Por: Kihunga Bessa
Os factos ocorreram por volta da uma hora da madrugada do pretérito dia 19 de Junho de 2024, na rua da Sétima Avenida (bar Matemo), travessa do Ajax, arredores do Kima Kieza, bairro Curtume, no município acima citado.
Às vítimas saíam de um óbito nas imediações e, ao chegarem à casa, com algumas dificuldades para entrar por falta de chaves, tentaram saltar o muro quando foram atingidas com disparos de arma de fogo.
A audiência decorreu na sala da Quarta Secção da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina, e teve início por volta das 14 horas, sendo presidida pela Meritíssima Juíza Presidente Maiza Garcia.
Durante a leitura da acusação, o Ministério Público, em processo comum, acusa o arguido de ter cometido o crime livremente, mesmo tendo consciência que a sua conduta era reprovável, incorrendo no crime de homicídio qualificado.
Perante o interrogatório e a produção de provas, o arguido, que trabalhou como chefe do posto policial do bairro dos Ossos, afirmou que, no dia dos factos, havia saído do serviço e se dirigiu à casa da sua mãe, onde decorria o aniversário do seu filho.
Acrescentou que, quando se encontrava a dormir, por volta das quatro horas da madrugada, o seu irmão, de nome Joel Andrade, acordou-o informando que haviam na rua alguns elementos a clamar por socorro, porque supostamente estavam a ser assaltados na via pública.
“Levantei-me, peguei na minha arma, do tipo pistola, de marca Jericho, contendo 13 munições, e, junto do meu irmão, do meu filho e de mais dois militares, um identificado apenas por Bad Leo, que também se faziam portar de arma de fogo, em companhia das vítimas do assalto, dirigimo-nos ao local, quando, de repente, nos deparámos com um grupo de sete elementos e, a uma distância de 13 metros, as vítimas reconheceram que eram os supostos marginais”, relatou.
Segundo o arguido, ao cruzarem com os suspeitos, imediatamente estes efectuaram quatro disparos, o que obrigou-o a responder efectuando três disparos.
Disse que, em seguida, os dois militares também detonaram uma granada de instrução (dois tempos) no quintal da vítima Francisco Adriano Manuel, de 65 anos, que estava deitada no chão, sem ter em conta os outros dois elementos que o mesmo diz desconhecer, tendo regressado depois ao local da festa.
“Não sei se os disparos que os vitimaram foram os meus ou não; ainda assim, tive de fugir por medo, porque em 2013 já estive preso na Comarca de Viana durante três meses, por abuso de poder, mas fui solto depois de me entender com a vítima”, declarou.
Vale dizer que, após a audiência, a próxima sessão ficou remarcada para o dia 26 do mês e ano em curso, pelas 11 horas.
Ouvido pelo Na Mira do Crime, o advogado dos lesados, Zola Bambi, avançou que, pelo que se produziu durante o interrogatório, é possível que o desfecho possa ser aquele que a família espera: justiça.
Adão Francisco, irmão menor de um dos malogrados, disse que a família nada mais espera do que a justiça.
Confirmou também o lançamento da granada no dia dos factos, cujo autor permanece desconhecido até ao momento.
O Na Mira do Crime segue a acompanhar o caso até ao seu desfecho.







