Polícia na Huíla vai impedir realização da manifestação do dia 11 de Novembro — Activistas afirmam que vão sair às ruas
A Polícia Nacional na província da Huíla afirmou nesta sexta-feira (07), que vai impedir a realização da manifestação prevista para o dia 11 de Novembro do ano em curso, por orientação superior.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com a porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente-chefe Renata de Matos, a corporação recebeu orientações do Comando-Geral da Polícia Nacional de Angola, no sentido de não permitir a realização de manifestações em todo o território nacional.
“A polícia está orientada, a partir do Comando-Geral, a não permitir que as manifestações se realizem em nenhuma província do país, os cidadãos que insistirem nesta prática serão severamente detidos por desacato às autoridades”, disse Renata de Matos.
A medida, segundo explicou a porta-voz, está relacionada com as comemorações dos 50 anos de independência nacional e com a vinda ao país de 14 presidentes convidados, bem como de mais de 30 ministros de outros países.
“O que se pretende com esse impedimento é garantir que, neste dia, não haja qualquer tipo de confusão no país enquanto decorrem às festividades dos 50 anos, caso os manifestantes insistam em sair às ruas, a Polícia Nacional na Huíla vai reforçar o patrulhamento com todos os meios e forças disponíveis, vamos empregar a nossa última força, se for necessário”, acrescentou a superintendente-chefe.
Em reação a estas declarações, os organizadores da manifestação realizaram, nesta sexta-feira (07), uma conferência de imprensa, na qual garantiram que, no dia em referência, vão sair às ruas sem qualquer impedimento, quer por parte da polícia, quer de outras entidades governamentais.
“Vamos sair às ruas por causa da situação extrema e das condições precárias que o governo impõe aos cidadãos, desde a fome, à falta de água em vários bairros da cidade do Lubango e não só, assim como à precariedade no fornecimento de energia eléctrica e à inexistência deste serviço em algumas zonas da província”, afirmou um dos activistas.
Os manifestantes consideram ainda que, apesar das celebrações dos 50 anos de independência, “o povo continua a viver na fome, como há décadas”, lamentaram.
“Não estamos de acordo com as comemorações dos 50 anos de independência, porque durante este período há muita gente a morrer de fome. Também há muitas pessoas fora do sistema de ensino, e registam-se mortes constantes nos hospitais por falta de medicamentos e de humanização no atendimento. Temos um governo completamente ditador, que não está realmente preocupado com as condições de vida da população angolana”, afirmaram os activistas.
Segundo os manifestantes, a região sul do país enfrenta uma situação de fome extrema, o que constitui uma das principais razões da manifestação.
“Para elucidar segundo um dos activistas, no município da Chibia, concretamente na localidade de Nongima, houve uma fase em que, dentro de uma comunidade, morreram dez pessoas por causa da fome. Tempos atrás, no município de Caluquembe, muitas pessoas, devido à falta de alimentos, chegaram a alimentar-se de papa feita de manga. Na província do Namibe, houve também um período em que a população chegou a torrar caroços para se alimentar”, explicaram.
O advogado David Gus considerou que o direito de reunião e manifestação está consagrado na Constituição da República de Angola, no seu artigo 47.º, referindo que a mesma não carece de autorização, mas sim de uma prévia comunicação.







