Conflito de terras em Calumbo: Moradores acusam fiscais de facilitar ocupações ilegais
Os moradores da zona intermédia, Ponto 1, no Zango 3 A, município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, acusam a direcção da fiscalização local de facilitar a ocupação de terrenos e a alegada conivência de funcionários da administração local.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com António João, Lourenço Januário e Ambrósio Damião, todos moradores daquela zona há mais de uma década, em nome do colectivo, afirmam que os conflitos remontam desde 2019, quando a área ainda pertencia ao município de Viana, sob a administração de André Soma.
“Desde 2019 que enfrentamos um conjunto de irregularidades. A nossa zona, que inicialmente pertencia a Viana, foi concebida como um projecto habitacional estruturado, com previsão para escolas, clínica, creche, esquadra da polícia, igreja e comércio. Infelizmente, tudo isso foi sendo ocupado por invasores”, explicaram.
Acrescentaram que o projecto habitacional daquela zona foi lançado em 2016, com o objectivo de criar um bairro ordenado e dotado de infra-estruturas sociais. No entanto, segundo os moradores, a partir de 2019 surgiram ocupações desordenadas que inviabilizaram o plano inicial.
“Fomos atraídos por um projecto que garantia escolas e segurança. Hoje, o que vemos são construções ilegais que até obstruem vias principais, como a rua Zango–Calumbo”, denunciaram.
Os moradores sublinham haver envolvimento de funcionários da antiga administração de Viana e de fiscais da actual administração do Calumbo, que supostamente teriam autorizado tais construções ilegais.
Ouvido por este jornal, Sebastião João, coordenador da Comissão de Moradores da zona intermédia Ponto 1, afirma ter feito diversas diligências junto da administração municipal de Viana, que chegou a ordenar demolições durante o mandato do administrador Demétrio António Brás de Sepúlveda, mas as obras foram rapidamente reconstruídas.
Acrescentou que as casas foram demolidas, mas voltaram a ser erguidas. Em Quitundo 1, as ocupações também persistem, e agora há construções definitivas que até bloqueiam as vias principais.
Ressaltou que, com a criação do município do Calumbo, em 2024, os moradores voltaram a apresentar o caso, desta vez à nova administração local, mas, segundo relatam, nunca foram recebidos pelo então administrador Miguel de Almeida.
“A fiscalização está viciada. Vieram cá, viram as obras ilegais e nada fizeram”, disse Sebastião João.
O Na Mira do Crime contactou, via telefónica, o director da fiscalização municipal de Icolo e Bengo, identificado por senhor Caoje, para aferir a veracidade das acusações. Este avançou que a informação é infundada e prometeu repor a legalidade no espaço.
“Nós fomos lá duas vezes, encontrámos as novas construções, mas prometemos pôr legalidade”, disse.
Quanto aos referidos casebres, aquele responsável afirma já os ter encontrado e que não tem legitimidade para os remover.







