Estudantes do Instituto Superior Politécnico Crescente acusam direcção de má gestão e desrespeito com os estudantes
Os estudantes do Instituto Superior Politécnico Crescente (ISPC), instituição de ensino superior que lecciona sete cursos e funciona desde 2019, situada na província do Ícolo e Bengo, município de Calumbo, primeira paragem do Zango 3, têm manifestado crescente preocupação e descontentamento relativamente à forma como a direcção tem conduzido os assuntos académicos desde o início do presente ano lectivo.
Por: Solange Figueira
De acordo com os estudantes do segundo, terceiro e quarto ano, foram enfrentados obstáculos considerados injustificáveis para o arranque das aulas.
Três meses após o início oficial do calendário académico, e a escassos três meses do término do primeiro semestre, as salas do terceiro ano dos cursos de Direito e de Comunicação Social permanecem vazias.
A instituição alega que o número reduzido de alunos que efectuaram a confirmação impede o início das actividades lectivas.
Esta conduta, segundo os estudantes, tem provocado pressão psicológica e académica, inclusive entre aqueles que têm as propinas regularizadas. Acrescentam que, apesar de a instituição ter anunciado um programa de negociação faseada de dívidas, persistem dificuldades no processo de pagamento, atribuídas ao comportamento de alguns funcionários da secretaria, que alegadamente criam entraves e dificultam o cumprimento das obrigações estudantis. Tal situação, contam, demostra falta de organização, de sensibilização e de diálogo institucional.
Há ainda relatos sobre declarações e atitudes atribuídas ao sector jurídico da instituição, descritas como arrogantes e desrespeitosas, reforçando o sentimento de desprezo pelo direito dos estudantes a condições adequadas de ensino.
Carlos Daniel, estudante, expressa profunda apreensão quanto ao cenário actual.
“Este instituto enfrenta problemas sérios, inclusive no pagamento de propinas. Apesar de termos um sistema informatizado, na secretaria continuam a exigir comprovativos antigos. Estamos parados em casa, o primeiro semestre termina em Março e estamos a perder inúmeras aulas. Isto afecta directamente o percurso académico de centenas de jovens dos cursos de Direito, Comunicação Social e outras áreas. A educação não pode ser usada como instrumento de intimidação ou exclusão. Exigimos que a Direcção resolva esta situação com urgência”, afirmou.
Miguel António, também estudante, reitera que os discentes apresentam reivindicações concretas.
Os estudantes exigem a abertura imediata de um diálogo transparente com a Direcção; o início das aulas para todos, independentemente de questões burocráticas que não devem penalizar quem está regular; o cumprimento dos programas de negociação de dívidas divulgados pelo instituto; e o respeito absoluto aos estudantes, tanto na comunicação interna como no atendimento administrativo.
“O que reivindicamos não são privilégios, mas sim respeito, transparência e responsabilidade por parte dos dirigentes”, declarou.
A equipa de reportagem deslocou-se ao Instituto Superior Politécnico Crescente, onde obteve esclarecimentos do Director da Área Jurídica, senhor Paulo de Almeida. Segundo o responsável, os cursos ainda não arrancaram devido ao baixo número de confirmações.
Informou que os estudantes que reclamam são dos cursos de Direito, com apenas quatro alunos, e de Comunicação Social, com apenas dois. Muitos desistiram e deixaram dívidas que chegam a um ano sem pagamento.
“Tivemos uma reunião no final de Outubro, explicámos a situação e fizemos um acordo com mais de vinte estudantes, que garantiram que efectuariam as confirmações. Contudo, não o fizeram”, sublinhou.
Acrescentou que, até ao momento, têm apenas quatro alunos presentes e que, com esses dois ou quatro alunos, não têm como iniciar as aulas. Pretendem convocá-los novamente, no sentido de quem tiver dívidas regularizar a totalidade do valor, após emitirem uma declaração para que possam procurar outra instituição.
“Quanto aos comprovativos que estamos a solicitar, isso deve-se ao facto de alguns alunos terem falsificado documentos ou efectuado pagamentos em dinheiro directamente a funcionários corruptos, já afastados da instituição. Como pagavam em dinheiro, não há provas. Estamos a envidar esforços para resolver todos estes problemas”, explicou Paulo de Almeida.







