Proprietários de lojas de peças no mercado do avô Kumbi clamam por socorro após AGT encerrar mais de 20 lojas
Um grupo composto por mais de 15 cidadãos de nacionalidade nigeriana, proprietários de lojas que se dedicam à venda de peças de veículos, localizadas no mercado do Avô Kumbi, município do Kilamba Kiaxi, viu os seus estabelecimentos comerciais a serem fechados por técnicos Administração Geral Tributária (AGT).
Por: Cambuta Vieira
De acordo com os comerciantes que falaram ao Na Mira do Crime de forma anónima, no dia 17 de Novembro, por volta das 12 horas, um grupo de mais de 10 funcionários afectos à AGT encerrou mais de 20 lojas no mercado acima referenciado, sem motivos aparentes.
"Eles chegaram e disseram fechem as lojas, sem aviso prévio nem notificação, eu mostrei-lhes a minha documentação, inclusive o pagamento dos impostos à AGT, mas sem sucesso", relatou um dos visados.
Após encerrar as lojas, os funcionários disseram que os proprietários deveriam dirigir-se à AGT para tratar dos documentos, que nem eles próprios conseguiam especificar, no local, uma vez que nada lhes foi esclarecido, e esta semana alegaram que não têm sistema disponível.
O entrevistado explicou que está no mercado há mais de dois anos e que a presença dos funcionários ligados à AGT tem sido constante, ocorrendo duas ou mais vezes por mês, chegando a cobrar valores que variam entre 15 a 30 mil Kz por loja.
"Nós temos funcionários que são pais de família, nesse momento, estão sem trabalho, desde o dia 17, já perdi mais de 5 milhões, algo não está bem, comuniquem e estipulem prazos, nós também ajudamos o governo com a empregabilidade, neste momento, mais de 60 funcionários estão sem emprego, vêm aí as festas, como fica?", questionou.
Zé, também proprietário de uma das lojas de venda de peças, disse que está no mercado há mais de 10 anos e que a presença constante de funcionários da AGT tem sido problemática.
"Eles fecham as lojas, e os proprietários têm que ir atrás para reabri-las, chegando a cobrar até 300 mil Kz. Isso é demais, este país não tem lei, a qualquer momento aparecem a cobrar dinheiro, será que eles não têm salário?", reclamou.
Zé acrescentou que, devido ao encerramento constantes das lojas, já morreram quatro colegas, e que no dia 17, quando fecharam as lojas, houve pessoas que tiveram problemas de saúde, mas felizmente não foram a óbito.
"O correto seria fechar as lojas daqueles que não têm documentos em ordem, nós, que estamos legais, não havia necessidade de fechar, se faltar algum documento, nós tratamos", observou.
Dizem que no dia 27 de Novembro os funcionários da AGT abriram duas lojas, os proprietários foram atrás pedindo que também abrissem as suas lojas e foi solicitado que cada proprietário pagasse 30 mil Kz, a contribuição foi feita, mas até hoje não receberam retorno, o dinheiro foi em vão.
O entrevistado explicou que, com o encerramento da sua loja, já perdeu um total de 15 milhões de Kz, e que os quatros funcionários correm o risco de passar o Natal sem ter o que comer.
Os denunciantes afirmam que têm pago multas à AGT que consideram injustas.
"Se começaste a trabalhar em 2024, a AGT vai te dar uma factura de 2023, mesmo depois da verificação na base de dados de que a actividade laboral não existia naquele ano, alguns chegam a pagar multas de 4 milhões Kz", denunciaram.
"O comerciante, em qualquer canto do mundo, contribui para o desenvolvimento do país. Se algo não vai bem, pedimos que a AGT se pronuncie, estamos dispostos a cooperar, mas não podem dificultar a nossa vida, pediram para comprarmos computadores, obedecemos, exigiram contabilista contratámos", disse um dos entrevistados.
"Eu, em particular, tenho uma contabilista, sempre que o mês termina, vou pagar os impostos, que variam em função do rendimento mensal", acrescentou.
Actualmente, mais de 60 funcionários que dependem dessas lojas estão sem trabalho e enfrentam grandes dificuldades, os trabalhadores apelam às autoridades competentes que os ajudem a solucionar o problema.
"Por dia temos direito a mil Kz de táxi e alimentação, devido às dificuldades, vou a pé para conseguir levar algo para casa, agora, com a loja fechada, as dificuldades aumentaram", lamentaram.







