Lutas entre grupos rivais no Sambizanga termina com mais de sete casas queimadas, mais de 20 pessoas estão ao relento
O grupo de rixa denominado "Mete direito" queimou mais de sete residências pertencente a família de um integrante de um grupo rival, denominado "Os Bófia", depois deste último terá agredido fisicamente o seu rival com um objeto corto-perfurante. Como retaliação, os bandidos, com recurso a bombita, gasolina e fogo incendiaram a casa dos avós do agressor e demais familiares.
Por: Cambuta Vieira
Miguel Macuala, de 55 anos de idade, residente no sector da Lixeira, bairro 12 de Julho, município do Sambizanga, viu a sua casa a arder depois do desentendimento provocado pelo sobrinho, integrante do grupo "Os Bófia".
Miguel, contou para o Na Mira do Crime que no dia 29 de Novembro do ano em curso, no período da tarde, o seu sobrinho identificado por Carlitos, terá aleijado um elemento do grupo rival.
Estes, por sua vez, foram até a casa do agressor para retaliação, depois de serem acalmados, os gêmeos do grupo "Mete-direito" avisaram que período nocturno queimariam as casas dos familiares do Carlitos.
"Em nenhum momento pensámos que a situação seria o pior, uma vez que eles têm feito os seus conflitos e resolução na rua", explicou.
Na madrugada de domingo, 30, por volta das 00 horas, um grupo de jovens composto por mais de 10 elementos, integrante do grupo "Mete direitos" se dirigiram até à residência dos avós de Carlitos e, com recurso a bombita, gasolina e fogo queimaram sete casas dos familiares do rival de grupo.
" Eu estava a dormir, quando de repente ouvi três tiros, era o vizinho Anelina, que fez os disparos ao ar, para evitar o pior, uma vez que o grupo veio em massa, com catanas e facas, mas já era tarde", explicou.
"Eu saí de calça olímpica, sem camisa, as casas ao lado todas a arder, pedi aos vizinhos que ligassem para os bombeiros...Eu perdi todos os bens de casa, até valores monetários, a roupa que eu estou a usar, os vizinhos é que me doaram", lamentou uma vítima.
Rosa Paulo, avó de Carlitos, explicou que no dia do incêndio, estava a dormir na sua residência, quando o seu sobrinho saiu aos gritos, rompendo a porta da sua casa.
"Quando acordei deparei-me com chamas intensa, sem tempo para recuperar coisa alguma.
Perdi tudo, roupa dos fardos que eu comercializava, 180 mil kwanzas, eletrodomésticos, fogão e botija... entre outros, não sei o que fazer, até para comer estou a depender dos vizinhos", deplorou.
Rosa Paulo disse que o comportamento do seu neto é negativo, várias vezes conversou com o mesmo, mas sem sucesso.
Marcos Massambo, pai dos jovens Carlitos e Chegou Pilhou, padece de uma infeção pulmonar, exercia a actividade de técnico de eletrodomésticos, com o incêndio perdeu tudo.
Na retirada do grupo, abordaram um jovem que estava no portão, segundo a vítima que falou de forma anónima, ao tentar defender o seu vizinho foi agredido com catana na mão.
"Eles estavam com facas e catanas, eu de pé no meu portão tentei defender o meu vizinho, um dos integrante pegou na catana para me atingir na cabeça, eu coloquei a mão e quase que perdi os dedos", explicou.
A vítima contou que na mesma madrugada foi levado até ao hospital municipal do Sambizanga, dada a gravidade, foi transferido ao hospital Maria Pia, onde sofreu uma cirurgia.
Fruto das lutas de rixas entre "Os Bófia" e "Os Mete direitos", resultou na perdas de várias residências, colocando mais de 28 pessoas ao relento.
A equipa deste jornal deslocou-se até ao comando municipal do Sambizanga, onde fomos informados por uma fonte que alguns jovens envolvidos na luta estão detidos, e deligências continuam para capturar os demais elementos.
O NA MIRA DO CRIME foi até a administração municipal do Sambizanga, onde manteve contacto com Cesaltina Pedro, responsável da acção social daquele município.
A responsável disse que estão a trabalhar para apoiar às famílias.
"Já fizemos o levantamento das famílias afectadas, vamos envidar esforços para dar uma resposta como tem sido com outro casos", prometeu.







