Capitã (das FAA) acusa Chefe de Operações da esquadra do Capapinha de detenção ilegal e abuso de poder, diz que foi maltratada nas celas
Uma cidadã identificada por Marcelina da Costa acusa o seu vizinho, um empresário conhecido por António Bundi, de se apoderar de um terreno e, na sequência do litígio, fazer uma queixa-crime contra ela, por ter arrancado a vedação do seu espaço, no município do Calumbo, província do Icolo e Bengo
Por: Solange Figueira
A denunciante alega que tudo começou por causa de um espaço, situado na primeira paragem do Zango- 3, lado B. Por ser viúva, decidiu arrendar a um empresário, não identificado, que construiu no local uma bomba de combustível.
Depois da obra ser erguida, na véspera das bombas serem inauguradas, o vizinho do terreno, António Bundi, começou a persegui-la, tomando a decisão de vedar um passeio público, com paus e chapas, para que os carros das bombas não tivessem acesso à estrada.
Segundo Dona Marcelina da Costa, é viúva de Danilson Mateus Vieira, afecto ao comando municipal de Luanda, que foi morto em missão de serviço, na altura Chefe de Operações da 49.ª esquadra.
A mesma diz ter ganho o terreno na Administração de Calumbo, há 2 anos, pela sua condição de viúva, para sustentar os 6 filhos.
"Meu marido morreu em serviço e o Estado não me ajudou em nada. Solicitei o terreno e cederam-me. De princípio, fiz um bar, mas por conta da minha religião, decidi arrendar a outra pessoa", disse, acrescentando que, na última quinta-feira, quando foi detida, numa altura em que o Comandante da Esquadra do Capapinha estava de férias.
Quem estava a interinar era a Chefe de Operações, subinspectora Maria Nangumbi.
No dia seguinte, recebeu um vídeo, onde os trabalhadores do senhor António aparecem a vedar o terreno dele, que abrangia até à via pública e o passeio.
"Liguei para ele, porque tínhamos boas relações, mas o senhor, arrogantemente, me respondeu que não estava a me roubar, mas estava a roubar o Estado, por esta razão, eu tinha que ficar calada, facto que me levou até à Administração do Calumbo, donde os técnicos da administração partiram até ao local, pediram ao senhor para retirar a vedação. Só que, depois de todos irem embora, ele a repôs", conta.
No dia seguinte, disse, ficou enfurecida e arrancou dois paus que estavam na sua parede, o que levou o senhor a fazer uma participação contra si.
"Eu, por vontade própria, fui responder. Já na esquadra, a comandante interina nem sequer me ouviu. Apresentei-me e disse que era militar, que ostentava a patente de Capitã. Ela estava em uma sala fechada com o senhor António, e quando saiu, deu a ordem de detenção, sem me ouvir, pediu o meu passe de serviço, que estava caducado, tirou fotografias no Bilhete de Identidade. Pedi muito para ela me ouvir, mas não aceitou", refere.
"Como o Senhor António é empresário, tem o hábito de subornar as pessoas, presumo que a tenha subornado", desconfia.
Disse que ficou detida das 17 horas de quinta-feira, às 18 horas do dia seguinte. "A Chefe Maria ria-se da minha cara, me fez dormir no chão, fiquei um dia inteiro sem beber água e sem tomar banho.
No dia seguinte, às 9 horas, encaminhou-me para a esquadra da centralidade do Zango 8 mil, como se fosse uma criminosa.
Lá, conta, os agentes não aceitaram me deter, por não ter cometido nenhum crime, e mandaram-me de volta para a esquadra do Capapinha, onde fui posta em liberdade, sem mandado de soltura.
Marcelina não tem dúvidas que a Maria está a acudir o empresário, por ter a licença.
Afirmou que esta semana, também, a sua licença emitida pela Sonangol lhe foi dada. Logo, o seu terreno e as respectivas bombas "já não sao ilegais".
O único pendente que diz ter é com a administração, que não está a dar o direito de superfície.
"O empresário, Senhor António, gaba-se de ser familiar do ministro Isaac dos Anjos e afilhado do Comandante Municipal de Cacuso, antigo comandante do Município de Viana e da Chefe Maria, a que me mandou deter", revelou, alegando que tudo isso só acontece pelo facto de ela ser pobre.
O Na Mira do Crime entrou em contato com o Senhor António Bundi, o acusado, que diz que o caso tem que ser resolvido pela Administração do Calumbo e esclarece que a senhora Marcelina foi detida por vandalizar um bem privado que não lhe pertence.
"Quando a Senhora Marcelina ligou, respondi-lhe para ela ir se queixar na Administração. Ela decidiu arrancar a minha vedação, por isso fiz a participação na polícia. Esta bomba de combustível que ela construiu é ilegal, não tem licença. O meu terreno tem licença. Qualquer infracção que eu esteja a cometer, quem deve incomodar a administração de Calumbo, e não ela", reagiu.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se até à esquadra do Capapinha e falou com a Sub-inspectora Maria Nambungui, Chefe de Operações.
Quando Marcelina foi detida, ela estava a interinar como Comandante da Esquadra.
"Não recebi nenhuma senhora que ficou detida por litígio de terrenos, mas sim por vandalismo. Vandalizou e subtraiu os meios de um cidadão. A Senhora Marcelina, quando veio aqui, estava embriagada. No dia 03, ela esteve aqui, fez uma participação, no dia 4, foi arrancar a vedação. Eu não conheço o senhor com quem se implicou, recebi a denúncia de um cidadão comum", precisou.
Disse mais: "Marcelina cometeu o crime de vandalismo e furto, porque guardou os paus do senhor na residência dela. Aqui não resolvemos casos de terrenos, quem resolve é a administração. Ela está a mentir, quando diz que foi maltratada.
Dei voz de detenção, porque ela estava muito alterada, a gritar. Eu não podia cruzar os braços, olhando para a infracção que a senhora cometeu.
Esta senhora é muito mentirosa. Ela pode recorrer, eu estou à altura de dar a cara e responder. Se ela diz que ouve suborno, terá que provar", desafia, sublinhando que no dia seguinte, quando a levaram para à esquadra do Zango 8 mil, ela voltou, porque não havia cela feminina.
"Não sei quem a deixou sair, sem soltura, porque eu não estava na esquadra", rematou.







