Jovem de 20 anos encontrado morto na Morgue Central de Luanda quatro dias depois de estar em convívio com amigos
Um cidadão nacional que em vida atendia pelo nome Celson Miguel, de 20 anos de idade, morador do Bairro Titanic, município do Kilamba Kiaxi, foi encontrado morto na Morgue Central de Luanda, na quarta-feira, 10, quatro dias depois de estar num convívio com amigos, os quais dizem desconhecer o que o levou à morte. A família pede esclarecimentos sobre o caso por parte das autoridades.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, Lucinda Anselmo, mãe do malogrado, visivelmente abalada, conta que o seu filho saiu de casa por volta das 18 horas de sábado, dia 06, e dirigiu-se à casa de amigos, onde esteve a conviver e de onde já não voltou.
“Pensei que voltaria no domingo à tarde, mas infelizmente não aconteceu”, disse.
Relatou que, desesperada, na segunda-feira, dia 08, dirigiu-se à casa dos amigos com quem o filho esteve. Um destes, por sua vez, informou que, após o convívio, por volta das 23 horas do referido dia, Celson decidiu ir para casa, mas, notando que já estava tarde, foi a residência de um outro amigo que vive a sensivelmente a dois quilómetros da sua residência, atravessando uma das valas de escoamento de água pluvial.
Acrescentou que, ao chegar lá, o suposto amigo vinha de uma festa apenas para trocar de roupa, e a vítima, em vez de dormir, decidiu seguir esse mesmo amigo novamente para a festa.
“Segundo informações desse amigo, o meu filho saiu da festa por volta das duas horas da madrugada de domingo, sem se despedir, pensando ele que tinha ido para casa, tendo o amigo saído da festa apenas por volta das 7 horas”, declarou.
De acordo com a mãe, após ouvir os relatos dos amigos, na terça-feira, dia 09, dirigiu-se ao posto policial da zona para participar a ocorrência, sendo encaminhada para outra esquadra.
Salientou que, no mesmo dia, após a participação, a família intensificou as buscas em hospitais e esquadras, sem sucesso. E, na quarta-feira, dirigiu-se à Morgue Central de Luanda, onde infelizmente encontrou o seu filho, sem vida, com o corpo totalmente inflamado e com a língua para fora.
“Perguntámos quem levou o corpo para lá depositar, e foi-nos informado que foi o SIC e que tinha sido recolhido na zona da Maianga, alegadamente encontrado encalhado no interior de um tubo de esgoto”, frisou.
Informou que, incrédula, ao ver o filho naquelas condições, exigiu que fosse feita autópsia, a qual determinou afogamento como causa da morte.
Questionada sobre a localização dos amigos, a mãe afirmou que todos continuam soltos e à vontade, como se nada tivesse acontecido, embora um deles tenha sido chamado a depor.
A família clama por justiça e exige esclarecimentos por parte das autoridades.
O jornal Na Mira do Crime ouviu a socióloga Estela Cahombo, que informou que, na perspectiva sociológica, houve falha no mecanismo de controlo social e atribuiu culpa à família, sendo esta a base da sociedade e responsável pela segurança e comunicação dentro do lar, bem como à falta de solidariedade entre os moradores.
“Se um indivíduo frequenta um local onde habitualmente tem sido visto e já não o vêem, a comunidade pode tomar a iniciativa de procurar saber onde se encontra e com quem tem interagido frequentemente”, disse.
Mencionou ainda a falta de rede de vigilância local, afirmando ser necessário reforçar a questão da vigilância.







