Em Cacuaco: Supostos agentes da Polícia acusados de agredir jovem de 25 anos até à morte
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome Mateus Niquila Cabinda, de 25 anos de idade, morador do bairro Cawelele, município do Hoji-ya-Henda, morreu na terça-feira, 09, depois de ter sido agredido na via pública. Familiares da vítima acusam agentes da Polícia
Nacional colocados na esquadra da Boa Esperança (Combuessa) de serem os autores do crime.
Por: Kihunga Bessa
Em prantos, Deusa Domingas Teca, de 23 anos de idade, esposa do malogrado, que falou em exclusivo ao Na Mira do Crime, contou que o facto aconteceu por volta das 14 horas do referido dia, quando a sua irmã mais velha, Magnoria Cabinda, de 28 anos de idade, seguia para a famosa praça do jantar e o encontrou a vítima fora do quintal onde habitualmente trabalhava, na descarga de contentores.
Perguntou-lhe o que fazia ali fora, tendo este informado que aguardava por um dos seus colegas, que o teria insultado.
“Em seguida, a minha cunhada ligou-me informando da situação e eu fui para lá. Pedi-lhe para vir para casa, mas este não quis, alegando que já estava tudo ultrapassado. Entretanto, o gerente do armazém accionou a polícia e, de repente, três agentes surgiram e colocaram-lhe algemas para o levarem até à esquadra”, disse.
Acrescentou que o malogrado, assustado, ainda tentou escapar com as algemas nas mãos, mas os agentes da Polícia perseguiram-no até o alcançarem.
“Começaram a agredi-lo e, consequentemente, colocaram-no numa motorizada de três rodas (kupapata), levando-o até à esquadra da Combuessa, já em estado crítico”, informou.
Realçou que, já na esquadra, em função do estado em que se encontrava, o comandante local ordenou que a família o levasse ao hospital, alegando que o cidadão era doente.
Segundo a esposa, a família explicou às agressões que o mesmo sofreu ao Comandante, mas, infelizmente, este, alegadamente não se importou, tendo a família levado o infeliz até ao posto médico Emília, na Boa Esperança.
Dada a gravidade do caso, este foi transferido para uma unidade hospitalar de referência.
Salientou ainda que o levaram até ao Hospital da Ana Paula, mas não resistiu e acabou por sucumbir.
Após o sucedido, a família dirigiu-se ao Comando Municipal de Cacuaco, onde foi registada a ocorrência e, consequentemente aberto o processo n.º 5811/25-CE.
“Desde que fomos lá até ao momento, a polícia em Cacuaco ainda não se pronunciou, e nós enfrentamos inúmeras dificuldades financeiras, para a realização do óbito, visto que o corpo continua na morgue de Cacuaco desde terça-feira, dia 9, e já gastámos muito dinheiro”, concluiu.
O Na Mira do Crime contactou o porta-voz da Polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, para ouvir o contraditório das acusações, aguardando pelo seu pronunciamento.
Importa referir que o malogrado deixa esposa e dois filhos, de sete anos e de um ano e dois meses de idade.







