Um filme que só está a começar: Usurpação de terrenos opõe radicalmente família António e sua vizinha no Calumbo
A cidadã Rosa Manuel António, de 85 anos de idade, acusa a sua vizinha, dona de uma loja de vendas a grosso, identificada por Irina, de querer demolir residência e usurpar um terreno de dimensão de 22 por 30 metros, situado na primeira paragem do Zango 3, lado A, com ajuda de 06 indivíduos, dentre eles um agente do Serviço de Investigação Criminal, conhecido por Dickson.
Por: Solange Figueira
A família António alega ter documentos que legalizam o terreno em causa, que lhes pertence desde o ano de 2011. Porém, foi em 2013 que o litígio começou, por conta da evolução do bairro, em que várias pessoas tentaram apropriar-se do espaço.
Segundo Rosa Manuel António, anciã e proprietária do terreno, o litígio é com a vizinha, que alugou um espaço à beira da estrada onde ergueu um armazém. Não satisfeita, chamou homens e máquinas para demolir um muro que estava a ser erguido no terreno, com a intenção de usurpa-lo.
"Tenho 6 filhos, que vivem aqui com as esposas, os meus netos e bisnetos. Por não ter condições, fiz apenas uma casa pequena, deixei o terreno vasto. A Dona Irina era trabalhadora da minha vizinha, vendia perucas, hoje tem uma loja de bebidas. Decidiu, por vontade própria, tomar o meu terreno à força. Veio com camiões cheios de materiais de construção. Se os meus filhos não estivessem, ela usurparia o meu terreno”, afirmou com lágrimas nos olhos, ao contar que foi notificada duas vezes na Administração do Calumbo.
“Falei com o administrador, que me orientou a construir no terreno, erguer os muros para que eles vissem que o terreno tinha dona. Fiz tudo isso, mas a vizinha mandou os comandos destruírem”, explicou, reforçando que o terreno é seu.
Ela conta que por causa dessa situação, não consegue fazer absolutamente nada, nem se ausentar do local. “Tenho lavras no Bengo, onde tiro o meu sustento. Não consigo ir trabalhar há meses, a minha plantação está a secar por causa deste problema”, deplora.
Para ela, a senhora Irina “é vigarista e criminosa, está de olho no meu terreno porque trabalhou com um dos meus filhos, que é alcoólatra e pedreiro. Não sei qual é o acordo que eles fizeram, desde aquela altura, ela tornou a minha vida um inferno. Preciso que alguém me ouça, estou a dar um grito de socorro”, implorou.
Georgina Dalas, vizinha, testemunha que o terreno é da Senhora Rosa. "Estamos aqui desde 2011. Aqui havia capim, este terreno é da Senhora Rosa. Estas pessoas querem aproveitar-se da vulnerabilidade dela. Podem me chamar onde quiserem, eu testemunho, o terreno é da Senhora Rosa. Quando eu vim viver aqui, nem filhos eu tinha”, ilustrou, considerando pecado o que se está a fazer com a anciã.
“Estão a comprar documentos para dizer que o terreno é deles. Ajude esta Senhora, ela não construiu no terreno até hoje por não ter dinheiro. Está a vir aqui muita gente a mentir, que não conhece a história do bairro. A Dona legítima do terreno é a Dona Rosa."
A nossa equipa de reportagem entrou em contato com a acusada, identificada por Irina, via telefónica, precisamente no momento em que se encontrava com o seu advogado que disse chamar-se Gurgel, que tentou esclarecer o caso.
"Não conheço a Senhora Rosa. Conheço apenas a minha constituinte. Um bem do Estado… Como é que estamos a usurpar um bem do Estado? A dona Irina não é obrigada a vos responder. O Jornal é um meio de comunicação, vocês conhecem os meios legais? Digam à senhora para accionar os mecanismos legais. Se vocês entendem de jornalismo, nós entendemos de direito. Qualquer questão contra nós, vamos recorrer”, despertou.







