José Harrobas e René Patrício - Agentes do SIC acusados de matar moto-taxista de 21 anos no Kilamba Kiaxi por cobrar dinheiro extorquido
O corpo de um moto-taxista foi encontrado, no dia 16 do mês curso, na Morgue Central de Luanda, apresentando sinais de espancamento. Trata-se de Domingos Dumbo, cidadão nacional de 21 anos de idade, residente na rua de Benguela, bairro dos Correios, município do Kilamba Kiaxi. Familiares da vítima acusam José Harrobas, sub-inspector e chefe de brigada do SIC, e René Patrício, agente de primeira classe e oficial do SIC do Kilamba Kiaxi, ambos afectos à 7.ª esquadra dos Correios, de estarem envolvidos no caso.
Por: Kihunga Bessa
Segundo apurou o Na Mira do Crime, o conflito teve origem numa disputa por dinheiro, alegadamente retirado do infeliz, que se deslocava frequentemente à esquadra para reaver os seus bens. Confrontados com a situação, os suspeitos terão arquitectado uma operação para se livrarem do indivíduo.
Enquanto René Patrício se encontrava de piquete, o jovem dirigiu-se à esquadra no sentido cobrar o seu dinheiro, mas este e a sua fonte (um marginal), identificado como Jardel, que, por sinal, é colaborador do SIC daquela esquadra, já procurado por crimes do género, terão detido o indivíduo e escondendo-o numa das celas. Passadas algumas horas, o sub-inspector e chefe de brigada do SIC, José Harrobas, recorreu ao carro de remoção, transportou o jovem, que supostamente veio a ser morto no interior da esquadra, numa zona abandonada da parte traseira.
Em declarações prestadas a este jornal, familiares que preferiram manter o anonimato referiram que Domingos Dumbo era natural do município de Caimbambo, província de Benguela, tendo-se deslocado para Luanda no mês de Agosto do ano em curso, em busca de melhores condições de vida. Exercia a actividade de moto-taxista, utilizando uma motorizada da marca Ling Keny, de cor vermelha, pertencente a um cidadão estrangeiro de nacionalidade guineense.
De acordo com um dos irmãos da vítima, o desaparecimento ocorreu no sábado, dia 13, quando Domingos saiu para mais uma jornada de trabalho, não tendo regressado ao domicílio. Antes disso, manteve contacto telefónico com o irmão mais velho, informando que regressaria mais cedo à casa.
Ainda segundo o familiar, a família possui uma regra interna que determina o regresso de todos os moto-taxistas até às 17 horas, por questões de segurança, uma vez que os meios utilizados não são de propriedade própria e os roubos ocorrem com maior frequência no período nocturno.
Por volta das 16 horas do mesmo dia, o irmão mais velho tentou contactar Domingos, sem sucesso, situação que motivou preocupação entre os familiares. Face à ausência de contacto, dirigiram-se, cerca das 18 horas, à esquadra local para fazer uma participação sobre o desaparecimento.
No dia seguinte, dia 14, os familiares realizaram diligências em diversas esquadras, unidades hospitalares e morgues, sem obter informações sobre o paradeiro do jovem. Posteriormente, tendo em conta que a motorizada possuía sistema de GPS, o proprietário do meio accionou a empresa responsável pela instalação do dispositivo, o que permitiu o rastreio do veículo.
O sinal conduziu os familiares desde a zona do Quintalão do Petro, passando por vários bairros, até ao Cassequel do Lourenço, nas proximidades de um hotel, onde a motorizada foi localizada já em processo de descaracterização. Um jovem que se encontrava na posse do meio foi detido e encaminhado para a esquadra mais próxima.
Conforme avançaram os familiares, o caso foi posteriormente remetido ao Comando Provincial da Polícia Nacional em Luanda, onde foram ouvidos e instaurado o processo n.º 13914/2025-DN, sob instrução de Danielson Neto.
De realçar que no dia 16, durante a continuidade das buscas, a família localizou o corpo de Domingos Dumbo na Morgue Central de Luanda, local que já havia sido visitado no dia anterior. O cadáver apresentava sinais evidentes de espancamento. A autópsia, solicitada pelos familiares, determinou como causa da morte espancamento com objectos contundentes.
A família denunciou ainda dificuldades no processo de obtenção do boletim de óbito, documento indispensável para a realização do funeral. Com base em diligências próprias e informações recolhidas junto de fontes, os familiares apontam José Harrobas, sub-inspector e chefe de brigada do SIC, e René Patrício, agente de Primeira Classe e oficial do SIC do Kilamba Kiaxi, ambos afectos à 7.ª esquadra dos Correios, bem como o seu colaborador Jardel, como principais suspeitos do crime.
Os familiares exigem esclarecimentos por parte das autoridades competentes e apelam à responsabilização dos envolvidos.
Importa referir que a vítima deixou esposa grávida e um filho de 3 anos, e a família teme por represálias, clamando por protecção.
Durante a reportagem, este jornal ouviu moradores da zona, que afirmaram ser habitual os efectivos da referida esquadra abusarem dos seus poderes, com maior destaque para José Harrobas e René Patrício, alegadamente fazendo vida difícil aos moto-taxistas.
“É habitual recolherem motorizadas e levarem-nas para a esquadra, mesmo sem que haja crime algum, e, em troca da liberdade, os proprietários são obrigados a pagar valores que
variam entre cinco e dez mil kwanzas. Quem se recusa é detido sob alegações de roubo de motorizada ou desacato às autoridades”, relataram.
A família sabe que após a morte do seu ente querido, agente de Primeira Classe, René Patrício, apropriou-se de alguns bens do malogrado, como a carteira, casaco e a mochila, inclusive os calçados. Por isso, exigem que sejam devolvidos.
O Na Mira do Crime contactou, por via telefónica, o porta-voz do SIC-Luanda, superintendente-chefe Fernando Carvalho, com o objectivo de ouvir a versão das autoridades, mas este prometeu pronunciar-se a qualquer altura. A mesma resposta foi dada pelo porta-voz do SIC-Geral, superintendente-Chefe Manuel Halaiwa.







