Utentes da empresa Tecnogest denunciam alegado esquema de burla no processo de vistos de turismo para Portugal
Um grupo de cidadãos denunciou alegadas práticas fraudulentas por parte da empresa Tecnogest, com sede na cidade de Luanda, relacionadas com processos de obtenção de vistos de turismo para Portugal. Segundo os denunciantes, o caso arrasta-se há vários meses, sem conclusão do processo nem devolução do dinheiro pago.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com relatos em posse do Na Mira do Crime, o processo teve início no mês de Julho, quando iniciou o pedido de vistos de turismo junto da referida empresa. Na ocasião, foi efectuado o pagamento de uma primeira prestação no valor de 400 mil kwanzas, tendo sido informado que a segunda prestação seria paga apenas após a emissão do visto. O valor total do pacote era de 900 mil kwanzas.
No entanto, posteriormente, a empresa terá alterado os termos inicialmente acordados, exigindo o pagamento da segunda prestação antes da submissão do processo na Embaixada de Portugal. Diante das dificuldades financeiras, os clientes solicitaram um prazo adicional de um mês para reunir o valor exigido.
Findo o prazo, foi possível pagar apenas 300 mil kwanzas, tendo a empresa aceite esse montante, com a promessa de que os 200 mil kwanzas restantes seriam pagos após a emissão do visto.
“Após esse pagamento, a Tecnogest voltou a alegar novos entraves, afirmando que os documentos precisariam ser actualizados devido à demora, incluindo um extracto bancário com selo seco emitido pelo Banco de Portugal”, disse um denunciante.
Os denunciantes afirmam que, mesmo após sucessivas promessas de conclusão do processo, ao deslocarem-se ao escritório da empresa constataram que os documentos apresentados eram inconsistentes e incompletos, faltando, entre outros, o termo de responsabilidade. Além disso, verificaram que alguns documentos apresentavam datas anteriores ao primeiro contacto com a empresa, bem como um extracto bancário que não pertencia à alegada financiadora do processo.
Perante os indícios de irregularidades, os clientes solicitaram o reembolso dos valores pagos, pedido que terá sido recusado pelo responsável da empresa. Segundo os denunciantes, o CEO da Tecnogest, actualmente residente em Portugal, terá afirmado que não devolveria o dinheiro e que os clientes estariam livres para apresentar queixa junto das autoridades competentes.
Os denunciantes foram mais longe e avançaram que um funcionário da empresa terá admitido, em conversa gravada, que o responsável máximo da Tecnogest já respondeu anteriormente a um processo no Departamento de Investigação Penal (DIP), tendo cumprido alguns dias de detenção por práticas semelhantes. Afirmam também possuir gravações e imagens que alegadamente comprovam essa informação.
Até ao momento, passados mais de quatro meses desde o início do processo, os clientes afirmam não ter recebido qualquer resposta concreta nem solução definitiva relativamente ao visto de turismo ou à restituição dos valores monetários pagos.
A Tecnogest ainda não se pronunciou publicamente sobre as acusações.
O Na Mira do Crime contactou o antigo secretário daquela instituição, Miguel Pedro Paulo, que, por sinal, foi o elemento que deu tratamento ao processo. Ele afirma ter noção da situação.
“Fui a pessoa que estava a dar tratamento ao processo; na altura correu tudo bem, recebemos os valores de 400 mil kwanzas, ficaram com a dívida de 500 mil, porque o contrato era de 900
mil kwanzas, e no momento do pagamento da outra prestação eles já não tiveram contacto comigo, mas sim com o proprietário, que vive em Portugal”, disse.
Acrescentou que, passado algum tempo, teve de sair da empresa, abraçando outros desafios, mas mantendo-se sempre a par da situação e de toda a ocorrência.
Informou que, na segunda-feira, dia 22 do corrente, tiveram um encontro com os lesados, onde se tratou do assunto da devolução dos valores, tendo a empresa lhe incumbido a responsabilidade da devolução, pelo facto de os valores monetários terem sido depositados na sua conta bancária.
“Eu não neguei devolver, mas apenas no próximo ano, visto que estou a ser vítima da empresa, porque fui sincero em dizer que os valores, após serem transferidos para a minha conta, foram para a conta do proprietário da empresa, e tenho provas”, concluiu.







