Funcionários da empresa GSegur agastados com atraso salarial há mais de seis meses: Proprietário diz funcionários que contestam "são activistas"
Funcionários da empresa GSegur, S.A., Segurança e Serviços, que actua há vários anos no mercado angolano, manifestam-se indignados com o atraso no pagamento dos seus salários há mais de seis meses, acusando a direcção da empresa de manter-se em silêncio perante a situação.
Por: Solange Figueira
Trata-se de uma empresa de segurança privada que presta serviços de vigilância humana e técnica em diversos sectores, nomeadamente em unidades hospitalares e outras instituições da cidade de Luanda, com sede localizada no bairro Morro Bento.
Segundo relatos dos trabalhadores, a alegada intenção do proprietário da empresa será proceder à demissão em massa sem o pagamento dos salários em atraso, nem das respectivas indemnizações.
Muitos funcionários afirmam estar há seis ou nove meses ao serviço da empresa, tendo recebido apenas o salário correspondente ao primeiro mês de trabalho.
O salário mensal pago a cada vigilante é de 70 mil kwanzas, a escala de trabalho é organizada por turnos manhã, tarde e noite.
Segundo contam, antes do início da situação de incumprimento salarial, a empresa contava com mais de 150 funcionários, sendo cerca de 40 por turno.
Actualmente, dizem, devido à falta de pagamento, muitos trabalhadores abandonaram os postos, reduzindo os turnos para um número que varia entre 15 e 30 homens, consoante a disponibilidade.
João Manuel (nome fictício), supervisor de um dos turnos, afirmou que a empresa tem alegado falta de pagamento por parte dos clientes como justificação para o atraso dos salários.
“A empresa é privada, quem deve pagar os salários é a GSegur, temos famílias para sustentar, reclamámos várias vezes, fizemos greve, mas não obtivemos respostas, passámos o Natal sem salário, queremos apenas o que nos é devido”, declarou.
Por sua vez, Salvador da Cunha, outro trabalhador, afirmou que circula entre os funcionários a informação de que, até ao dia 2 de Janeiro de 2026, todos os trabalhadores com salários em atraso poderão ser despedidos.
“Essa informação chegou-nos através de colegas, mesmo assim, não temos garantias de pagamento, continuamos a trabalhar, apesar das dificuldades, porque somos pessoas dignas, o que exigimos é o pagamento dos salários em atraso”, disse.
A equipa de reportagem deste jornal tentou ouvir o proprietário da empresa GSegur, identificado pelos funcionários como doutor Limão, que não se mostrou disponível para prestar esclarecimentos.
Em contacto telefónico, recusou identificar-se formalmente e afirmou apenas que os funcionários que denunciaram a situação ao jornal Na Mira do Crime são “activistas”, o interlocutor desligou a chamada sem mais detalhes.







