Litígio de terras no Calumbo – Cidadão morre de AVC depois de perder 53 hectares e 25 lojas em construção
Um cidadão identificado por Baptista Sicuba, de 59 anos de idade, perdeu a vida enquanto dormia, depois do seu terreno de 53 hectares, localizado na entrada da Centralidade do Zango 8 mil, junto ao projecto habitacional da EPAL, ter sido invadido, e mais de 25 lojas que estavam a ser construídas no local terem sido destruídas, supostamente a mando de um cidadão identificado por Fernando Hanga, que recebeu a posse provisória do tribunal.
Por: Solange Figueira
De acordo com os familiares, fruto do litígio, o falecido sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), há um ano. De lá para cá, vivia à base de medicamentos para controlar a pressão. Mas por ter perdido que o que lhe restava para empreender e dar uma vida condigna aos seus filhos, a morte surgiu.
Familiares dizem que no dia 30 de Dezembro, vários homens armados acompanhados de máquinas foram até ao terreno e, usando força, acapararam-se dele, o que culminou com a destruição de mais de 25 lojas em construção.
Senhora Marta Chiri, viúva do Senhor Baptista Sicuba, conta que o seu esposo adquiriu o terreno em 2014, passou bem o dia de domingo, despediu-se em casa dizendo que estava iria procurar a rótula do carro. "Quando o meu marido voltou, estava estranho, apresentava a boca torta e arrastava o pé. Pedi ao motorista para ir comprar pastilha para ele. De seguida, ele foi dormir, mas começou a deitar espuma na boca e acabou por morrer em casa”, historizou.
Ela acha que o seu marido não aguentou o impacto, pois, nos últimos dias, ele só lamentava a perda das lojas, falava a todo momento sozinho. “Era muito perseguido, por causa do terreno dele; temos todos os documentos legais que dão ao consórcio do comandante Loy legitimidade do terreno”, explicou, lamentando o facto de o marido a ter deixado na casa de renda, na companhia de 07 filhos.
“O Sr. Huanga sabia que o meu marido é doente, tenho dois pequeninos que tomam leite no biberão, estou desesperada, não sei onde ir, socorro, quero justiça", rogou, juntando-se a Rogério Sicuba, que disse que o malogrado era coordenador dos camponeses, e em 2022 sofreu a primeira invasão no terreno, teve um desentendimento, que culminou com a primeira crise dele.
Ele não tem dúvidas que as pessoas que estão a fazer isso faziam parte do projeto Mizangala que procuraram camponeses para mentirem que são os donos do terreno. “Procuraram o Senhor Fernando Hanga, para dizer que é dono do terreno.
No sábado, partiram várias lojas, o mercado e várias construções de outras pessoas. O meu irmão deu toda a vida neste projecto, ficou desiludido quando se deparou com a situação, não aguentou, morreu de ataque cardíaco”, reafirmou, lembrando que o Presidente da República, na sua tomada de posse disse que não há homem mais forte que não pode ser punido, ou alguém tão pobre que não pode ser defendido. “Por isso, pedimos por justiça”, exigiu.
Maria Sicuba, filha do malogrado, revelou que durante esse tempo, o seu pai foi sofrendo muitos atentados por parte dos invasores que subornaram muita gente para criar confusão nesse terreno que “a família acaba de perder”.
Por sua vez, Domingos Anacleto, que trabalhava directamente com o cidadão falecido, disse que o Sicuba e o consórcio do Comandante Loy têm legitimidade do terreno. “Sou amigo dele e trabalhava com ele; eles demoliram as lojas em dois dias. Vieram com um aparato policial e acabaram com tudo”, contou, manifestando-se surpreendido com o facto de terem ido à administração, mas esta diz desconhecer das demolições que ocorreram na referida área.
“O documento do tribunal que eles têm é uma medida cautelar provisória, de um mês. Ele se gaba de ser amigo dos juízes e não põe de parte a hipótese se ele estar a subornar tudo e todos”, desconfia, sublinhando que o bem mais importante e inviolável pela lei é a vida. “Mas eles tiraram o Sicuba do caminho para ficarem com o terreno; devem pagar pela morte dele."
A nossa equipa de reportagem entrou com o Senhor Fernando Hanga, o acusado, mas este alega estar doente, com a cabeça partida porque foi agredido depois de receber a restituição de posse do tribunal. "A família do Senhor Sicuba sabe que ele era doente, deu AVC a primeira vez. Ele morreu de trombose, não tive nenhum problema com ele, aquele terreno tem dono, é o Senhor Francisco Hanga, não é terreno dele, não fiz nada a ele, se ele morreu foi pela doença que ele tem há vários anos, não tenho nada a ver com a morte dele. As demolições foram feitas porque ele construiu ilegalmente no meu terreno", justificou.







