Cazenga: Trabalhadores acusam administrador do mercado dos Cajueiros de má gestão e desvio de bens públicos
Os trabalhadores e vendedores do mercado dos Cajueiros, localizado na rua 13 da Comissão, município do Cazenga, acusam o administrador local, Luís Bernardo Chivas, de alegada má gestão e desvio de bens públicos pertencentes àquele espaço comercial. As acusações surgem em meio a um crescente clima de insatisfação, onde os denunciantes exigem mais transparência e responsabilização na gestão dos recursos do mercado.
Por: Adão Paxi
Os denunciantes alegam que, actualmente, a Administração Municipal do Cazenga está a proteger o administrador. “Ele tem um grupo de apoio no Facebook. Era um jovem que se dizia activista contra o regime do MPLA e de José Eduardo dos Santos, que depois se tornou defensor das comunidades. Criou uma cooperativa em parceria com a Administração, denominada "Porta Limpa", e, para nossa surpresa, hoje já se encontra na gestão do mercado”, afirmaram.
De acordo com o senhor Pedro, vendedor de peças de motorizadas, o actual administrador está há apenas 1 mês e 22 dias à frente da gestão do mercado e já se apresenta como um “revolucionário”.
“Que tipo de revolução é essa? Estamos aqui há mais de 11, 12 anos, e sempre zelámos pelos bens públicos existentes. Não é aceitável que um gerador com mais de 15 anos no mercado, que nunca foi mexido, agora tenha sido retirado sob alegação de manutenção, quando o fornecimento de energia está estável”, relataram os denunciantes.
Acrescentaram ainda que, embora o administrador esteja a exercer a função de gestor, não tem autonomia para remover bens públicos do local, algo que nenhum dos seus antecessores fez.
O mais preocupante, segundo os vendedores e funcionários, é que até agora ninguém sabe ao certo o paradeiro do equipamento.
"Com tantos problemas urgentes por resolver no mercado, por que motivo a prioridade foi justamente o gerador? De onde saíram os valores para o aluguer da grua? Retirar e repôr novamente o equipamento implica um custo elevado, sem falar da manutenção e da compra das peças”, desabafaram os denunciantes.
Outro problema apontado pelos moradores diz respeito à cobrança de taxas fora do recinto do mercado.
Segundo as denúncias, vendedoras que exercem a sua actividade fora do estabelecimento formal estão a ser obrigadas a pagar 300 kwanzas por dia, sem clareza quanto ao destino desses valores.
Durante a reportagem, o Na Mira do Crime identificou os bens públicos que teriam sido vendidos de forma irregular, entre os quais se destacam: quatro vaporizadores, quatro motores, um gerador e uma roulotte (popularmente conhecida como “telo amarela”), particular.
O gerador, considerado sucata, foi supostamente vendido à empresa Janula YF Prestação de Serviços, identificada pelo NIF 5001605240, pelo valor de 1 milhão e 700 mil kwanzas. A empresa é representada por um cidadão de nacionalidade maliana, identificado apenas como Camará.
O Na Mira do Crime dirigiu-se à administração do referido mercado para contactar o administrador.
No local, foi informado que o responsável não se encontrava presente. Após solicitar o seu contacto, a equipa contactou-o, mas o mesmo negou ser Luís Bernardo Chivas, alegando que o número foi atribuído por engano e que nada tinha a ver com o assunto.







