Justiça manda em liberdade cidadão que atropelou mortalmente dois irmãos à saída da discoteca "Black Star" em 2018 - Condutor está obrigado a indemnizar em 33 milhões de kwanzas a família das vítimas
Sete anos após o atropelamento ocorrido em Viana, Luanda, no dia 1 de Janeiro de 2018, que chocou a sociedade e matou dois irmãos à porta da discoteca "Black Star", o Tribunal da Comarca de Viana inocentou o arguido, fundamentando que o condutor, amigo das vítimas, não teve intenção de as matar. A Justiça determinou uma indemnização à família no valor de 33 milhões de kwanzas.
Segundo o tribunal, o homicídio foi involuntário, pois o arguido encontrava-se embriagado.
O tribunal considerou que não houve dolo, ou seja não houve qualquer intenção do acusado matar as vítimas, considerando que ele não estava no seu juízo perfeito.
O julgamento começou em 2024 e terminou esta quarta-feira, 14, com a leitura da sentença que absolveu o arguido do crime de homicídio voluntário, mas o culpou dos crimes de condução sob efeito de álcool e homicídio involuntário.
Pelos dois crimes, o arguido foi condenado a uma pena de três anos de prisão, com pena suspensa.
A família das vítimas, atropeladas na porta da discoteca Black Star, em Viana, afirma que não foi feita justiça e acredita que o atropelamento foi premeditado.
As vítimas foram Adir Gonçalves, de 24 anos, e seu irmão mais velho, Célio Gonçalves, de 27 anos, que foi colhido e morreu meses depois, após vários tratamentos médicos.
O crime chocou a sociedade no dia 1 de Janeiro de 2018, quando três amigos saíram de uma festa de Ano Novo.
Adir Gonçalves estudava nos Estados Unidos da América e veio a Luanda, em Dezembro de 2017, para passar férias com a família.
No dia 31 de Dezembro de 2017, foi convidado pelo amigo, José Evandro (o arguido), para a festa de passagem de ano na discoteca "Black Star". Para não se sentir sozinho, Edir convidou também o seu irmão mais velho, Célio Gonçalves, e os três rumaram ao local da festa onde se divertiram noite dentro.
No final do evento, por volta das 07:00, já fora da discoteca, o arguido ter-se-á desentendido com um jovem até agora desconhecido.
O desentendimento ganhou proporções tais que obrigou os irmãos a acalmarem a situação. Enquanto os dois irmãos procuravam acalmar os ânimos, o arguido entrou na viatura, de marca Toyota Prado, dando logo início a uma sessão de "racha", tendo consequentemente embatido contra Célio e Edir. Este último não resistiu aos ferimentos e teve morte imediata.
Célio foi transferido para o hospital Militar, onde ficou internado, e veio a falecer meses depois.
Depois de causar o acidente, o arguido ainda tentou fugir, mas foi cercado pela multidão que o conduziu ao comando municipal de Viana da Polícia Nacional.
C/ Novo Jornal







