No Colégio Ricardina: Encarregados denunciam conivência da direção do colégio com agressões físicas, perseguições e bullying feita por alunas adultas contra menores
O Colégio Ricardina está situado no Município do Sambizanga, bairro São Paulo, nos arredores do Cine São Paulo e da Igreja Mundial. De acordo com encarregados que falaram para o Na Mira do Crime, há meses que reclamam junto da direcção do colégio sobre o casos violência, perseguição e bullyng, feita por alunas adolescentes de 16 e 17 anos, que aproveitam à fragilidade das alunas de 10 e 13 anos para intimidar, agredir e coagir e perseguir por motivos fúteis.
Por: Solange Figueira
Pais e encarregados de educação explicaram que, estes casos ocorrem desde 2024, porém, a situação começou a piorar em Outubro de 2025, quando uma aluna de 10 anos foi agredida por outra de 16 anos, que estava a obrigá-la a ingerir bebidas alcoólicas. Por ter negado, contam, a menina de 10 anos foi brutalmente espancada. O outro caso aconteceu com uma aluna de 13 anos de idade, que estava a conversar com um rapaz que, por sinal, era namorado de uma das agressoras, e por ciúmes espancou a colega, até ao ponto de arrancar-lhe várias tranças na cabeça. “É preciso sublinhar que todas às agressões acontecem dentro do colégio, aos olhos da direção do próprio colégio, vigilantes e professores que não fazem nada para resolver a situação”, denunciou uma encarregada de educação.
Acrescentou que às agressoras do Colégio Ricardina estão devidamente identificadas. Um dos encarregados realça que o caso foi denunciado no Comando Municipal do Sambizanga, e um dos processos tem o número 10178/25, foi denunciado também ao SISPE e na Brigada Escolar. Porém, continua, quando às agressões são cometidas, a única medida que a direção toma é mandar as acusadas varrer o quintal da escola, recolher os papéis e limpar o colégio, um castigo que as mesmas “fazem debochando e rindo das vítimas, o que as torna mais arrogantes e agressivas”. Laura Simão, nome fictício de uma das encarregadas de educação, conta que o Colégio tenta a todo momento abafar o caso para que à sociedade não tome conhecimento da barbaridade que acontece naquela instituição.
"O maior interesse da direção do colégio é o nosso dinheiro e não a proteção dos nossos filhos. As alunas agressoras têm desvio de conduta muito grave. Quando aconteceu a primeira agressão, a direção tentou resolver internamente, eles tomam medidas muito brandas, que até às meninas riem-se das vítimas e debocham, batem nelas quando bem entendem”, denunciou. Visivelmente revoltada, explicou que a sua filha foi severamente agredida e filmada dentro da sala de aula.
“Hoje ela está traumatizada com muito medo de ir à escola. Nós, mães das vítimas, tememos que um dia o colégio nos ligue para dizer que uma das meninas matou a outra, por isso pedimos a intervenção das entidades policiais com a máxima urgência", exigiu. Lucas Guimarães, nome fictício do pai de uma outra vítima, diz também que a primeira medida que o colégio toma é sempre mudar as meninas de uma sala para outra, mas, quando às vítimas se deparam com às agressoras no pátio, sofrem ofensas verbais. "Ontem tivemos uma reunião no colégio com os encarregados e às meninas foram expulsas, os pais ficaram sem palavras quando viram os vídeos, só conseguiam pedir desculpas e dizer que vão bater nas meninas porque não sabiam que elas tinham este comportamento.
O incrível é que tinham pais que ainda estavam a defender as filhas”, deplorou. Explicou que também haviam agentes da polícia na reunião, e comunicaram aos senhores que o caso ia para o tribunal.
Segundo os denunciantes, as alunas agressoras andam com objetos contundentes nas pastas. “A segurança e direção deste colégio estão com vendas nos olhos. A diretora nunca aparece e não responde às nossas reclamações, manda sempre o coordenador Kiala resolver, mas o mesmo não faz nada.
Resolver isso é simples: todas as alunas agressoras devem ser expulsas. A segurança e a vida dos nossos filhos é o mais importante", posicionaram. Domingas da Silva, encarregada, diz que na reunião de quinta-feira, 15, foram expulsas apenas três alunas, as outras agressoras do mesmo grupo continuam a estudar no colégio.
"A expulsão de ontem foi escolhida a dedo. Ainda tem várias meninas agressoras que não foram expulsas. Estamos revoltados, queremos respostas e segurança para todas as alunas", exigiram. A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com a Direção do Colégio Ricardina. Falamos com o senhor Raul Chipangue, coordenador do conselho de disciplina. O responsável, explicou que às denúncias feitas pelos encarregados de educação são falsas. "Primeiro, quero me desculpar por não os ter atendido durante estes dois dias”, desculpou-se. “Tivemos apenas uma situação de três alunas que agrediram outra aluna dentro da sala de aula e os colegas gravaram.
O vídeo tornou-se viral por esta razão, e a direção chamou a Brigada Escolar e o caso tem um processo que está a decorrer na Nona Esquadra”, informou. Disse que tomaram medidas e expulsaram às três alunas. “Há pessoas de má-fé que querem denegrir a imagem do colégio, com a finalidade de nos prejudicar.
Não é real. Não tem acontecido agressões. Em Outubro do ano passado, aconteceu uma briga entre duas colegas. Os pais foram notificados e, como era no período de provas, os pais entenderam-se, deram conta que eram família e tudo se resolveu. Já o caso que aconteceu recentemente, estamos a dar o devido apoio e tratamento”, garantiu. “Nós, enquanto instituição, tomamos conhecimento, intervimos, tomamos medidas.
Estamos desde quarta-feira, a resolver este caso. Quando acontece uma situação, nem sempre as medidas devem ser mais gravosas, estamos a lidar com crianças e adolescentes, então muitas vezes resolveremos pedagogicamente”, explicou.







