Escravidão moderna na empresa Pan- China:Trabalhadores denunciam maus-tratos e exploração laboral por parte dos cidadãos asiáticos
Mais de 100 trabalhadores da empresa "Pan-China", localizada no município do Kilamba, junto ao Kero do Kilamba, província de Luanda, denunciam maus-tratos, exploração laboral e violação dos direitos humanos, cometidos pelos responsáveis da empresa, maioritariamente cidadãos de nacionalidade chinesa.
Por: Adão Paxi
Segundo os trabalhadores, que preferiram falar sob anonimato, são forçados a trabalhar em condições desumanas, o que configura uma ameaça à saúde pública e uma grave violação dos direitos laborais.
“Trabalhamos forçosamente, como se fosse uma nova escravatura, e a alimentação fornecida é de péssima qualidade. Só temos uma única refeição por dia, às 11 horas.
Eles nos ameaçam quando reivindicamos os nossos direitos, nos pagam apenas 70 mil kwanzas por cada mês, mesmo o chefe dos recursos humanos ser angolano", denunciaram.
"O próprio angolano e chineses dizem claramente quem quiser trabalhar, que trabalhe; quem não quiser, que se retire”, desabafaram.
Os trabalhadores acrescentam ainda que a direcção da empresa evita receber jovens da província de Luanda.
"Eles buscam jovens das províncias de Malanje, Cuanza-Norte e Benguela. Segundo eles, esses são mais obedientes. Muitos de nós vivemos em péssimas condições, pagando diariamente 1000 kwanzas por cada noite em obras inacabadas", contou um dos trabalhadores que está na empresa há mais de 9 meses.
Actualmente, os trabalhadores descrevem a Pan-China como uma empresa tecnicamente fragilizada, incapaz de atender adequadamente às demandas de serviço.
Além disso, relatam condições laborais precárias, em que os funcionários são tratados como "mendigos".
"Se reclamares de alguma coisa, és visto como inimigo e contra a empresa", afirma um dos trabalhadores.
“Aqui não temos voz, quem reclama é mandado para casa. A maior parte de nós somos jovens temos medo de perder o emprego”, revelou um dos funcionários.
Perante o clamor dos trabalhadores e no cumprimento do princípio do contraditório, o Na Mira do Crime deslocou-se por duas vezes ao local para ouvir a direcção da referida empresa, mas esses, por sua vez, negaram o nosso acesso às instalações.







