06 milhões em jogo - Supostos funcionários do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do MININT acusados de burlarem milhões de kwanzas de cidadãos que procuram emprego na corporação
Durante o mês de Outubro do ano transacto, três supostos funcionários do Ministério do Interior, pertencentes ao Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, formaram supostamente uma quadrilha de burladores, com a promessa de empregarem cidadãos que pretendem entrar no mercado de trabalho, pelo Ministério do Interior. Nessa promessa caíram várias pessoas residentes nas províncias de Luanda, Cabinda, Benguela e Huambo.
Por: Solange Figueira
Um dos supostos burladores, identificado por Martins Bartolomeu, ainda teve a ousadia de hospedar, em sua casa, algumas pessoas que vinham das províncias do interior, garantindo que, a qualquer momento, seriam chamados para a "recruta", o que não aconteceu.
Denunciantes contam que, várias vezes, foram até ao Ministério entregar o dinheiro solicitado ao 3º Subchefe dos Bombeiros, Martins Bartolomeu.
Os outros integrantes da quadrilha estão identificados apenas pelos seus primeiros nomes: Doutor Nelson, Agente Pedro, Agente Isabel, Agente Tito Munana e o Agente Manuel.
O esquema funciona da seguinte forma: o cabecilha que recebia o dinheiro das vítimas dentro do Ministério, no Gabinete, é o terceiro subchefe, Senhor Martins Bartolomeu. À tardinha, no período das 16 horas, depois dos outros trabalhadores saírem, levava as vítimas até ao seu gabinete.
O outro agente identificado como Doutor Nelson, um dos mandantes do crime, é o chefe que falava com as vítimas ao telemóvel, dando garantias certas de que tinham vagas garantidas para todos, o que não era verdade.
Um deles está identificado com o nome de BI, o mesmo é suposto agente do Serviço de Investigação Criminal, e arranjava clientes e recebia valores monetários para entregar aos chefes.
A agente Isabel, nunca foi vista por ninguém, era um nome citado pelos acusados constantemente, uma das chefes que fazia parte do esquema.
Senhor Pascoal, uma das vítimas, e as suas irmãs, que seriam enquadradas no Serviço de Migração e Estrangeiros, deram mais de um milhão e meio de kwanzas.
Chivinda é outra vítima. Tinha recebido a promessa de ser enquadrado na Polícia de Intervenção Rápida (PIR). Deu o seu dinheiro no interior do Gabinete de Comunicação Institucional, na pessoa do Terceiro Subchefe dos Bombeiros identificado por Martins, na presença do seu colega, agente Pedro.
Senhora Mariana, vítima, vive no Huambo e ficou hospedada em casa do agente Martins a quem deu um milhão e duzentos mil kwanzas, distribuídos da seguinte forma: 400 mil para entrar nos bombeiros, e 800 mil kwanzas para a tia dela entrar no SME.
O suposto agente do Serviço de Investigação Criminal, identificado por BI, recebeu 300 mil do Senhor Avelino, uma das vítimas.
Dona Joana, residente na província de Cabinda, também deu 300 mil ao agente BI, a mesma quantidade que a senhora Mavungo, residente de Cabinda, deu.
Senhor Empreiteiro, residente em Luanda, deu um milhão de kwanzas. As duas irmãs, residentes em Benguela, nomeadamente a Manuela e a Carla, deram 600 mil kwanzas.
Todos estes valores foram, primeiro, para as mãos do suposto agente do Serviço de Investigação Criminal, BI, que os entregou ao agente Martins, que hospedava, em sua casa, o pessoal que vinha das províncias do interior.
Segundo George Santos, uma das vítimas da burla, durante o ano passado foram até à inspecção do Ministério do Interior, fizeram uma participação contra os agentes, que não deu em nada.
"Conheci o Senhor Martins Bartolomeu por intermédio de um colega meu chamado Bernardo, que se conheciam há 10 anos, e me disse que ele era uma pessoa de bem, afinal era tudo mentira", disse.
O Senhor Martins Bartolomeu é um criminoso nato e formador de quadrilha, na óptica dos acusadores.
"O GCI do MININT diz que já devolveu o agente Martins aos bombeiros, nós precisamos do nosso dinheiro, ou preferimos todos ir à cadeia com ele. É muita gente que estes senhores estão a desgraçar. Eu, particularmente, dei mais de 3 milhões de kwanzas", lamentou uma das vítimas.
Alguns acusadores desafiam o SIC a monitorar o sistema de vídeo segurança para confirmar os recebimentos de dinheiro pelo senhor Martins, dentro do Ministério do Interior. "O porta-voz do SIC Geral, Manuel Halawia, deve arranjar formas de esclarecer esta situação", exigem, acrescentando o nome do Nelson, considerado "criminoso arrogante", é que terá recebido
600 mil kwanzas de duas senhoras em Benguela, que estão à espera do caso ir ao tribunal para apresentarem as provas.
A nossa equipa de reportagem tentou contactar vis telefónica o acusado, agente do SIC, identificado por BI. Ele atendeu o telemóvel, mas desligou logo que nos identificámos. Mesmo assim, deixámos uma mensagem para ele.
Também enviámos uma mensagem para o agente Cage, via WhatsApp.
Em resposta a estas denúncias, o Na Mira do Crime remeteu três questões ao Director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, Wilson da Piedade Santos Daniel que respondeu da seguinte forma:
Tendo em atenção a denúncia apresentada pelo vosso órgão, que dá conta do envolvimento de seis supostos funcionários deste Gabinete, na cobrança de valores para ingresso de cidadãos nos órgãos deste departamento ministerial, pelo que, agradecemos.
Em observância ao questionário remetido, somos a informar o seguinte:
1- Tendo em atenção a relação nominal apresentada não se consegue aferir quem são, efectivamente, com excepção do 3.° Subchefe Bombeiro-Martins Bartolomeu, que foi efectivo deste Gabinete, quanto aos demais desconhecemos.
Importa realçar que, aquando do início das nossas funções no Gabinete de Comunicação Institucional tomamos conhecimento que, fruto da denúncia de alguns cidadãos contra o 3.º Subchefe Bombeiro-Martins Bartolomeu, foi participado e despoletado um processo disciplinar a área compete.
No que se refere aos cidadãos Tito Munene, Nelson, Pedro, Isabel e ao Agente BI, mencionados no questionário, informamos que não há registo da sua integração neste Gabinete.
Aproveitamos a oportunidade para reiterar que o Ministério do Interior não compactua com ilicitudes de funcionários, razão pela qual, tem instaurado processos disciplinares à todo efectivo que tenha uma conduta indecorosa e, muito dos casos, tem culminado com a expulsão da corporação.
Logo, a ser verdade, serão responsabilizados pelos seus actos.







