Técnicos do Hospital dos Cajueiros acusados de negligência médica e agressões físicas contra paciente de 31 anos que foi à obito - mulher morreu com um rasgão no olho esquerdo
Uma cidadã que em vida respondia pelo nome Ana Bela João António, de 31 anos de idade, moradora do bairro Malueca, município de Cacuaco, perdeu a vida na tarde de sexta-feira, dia 16, no Hospital dos Cajueiros, no município do Cazenga, depois de ter dado entrada naquela unidade no dia 8 do mês e ano em curso. Familiares acusam os técnicos de saúde de negligência médica e agressões físicas, e afirmam que está é a principal causa da morte da vítima, por isso clamam por justiça.
Por: Kihunga Bessa
Em prantos, Isabel Fernandes, mãe da malograda, explicou em exclusivo ao Na Mira do Crime que, após a sua filha ter dado entrada naquele hospital, foi diagnosticada com malária "em estado avançado".
Avançou ainda que, no dia seguinte, um dos médicos, de nacionalidade chinesa, que conversou com a mãe afirmou que o estado da paciente não era grave.
“O doutor disse-me que a tua filha não está boa e também não está mal, mas vamos avaliar durante três dias; caso o quadro não apresente melhoria, faremos a transferência para o Hospital Josina Machel”, relatou a mãe.
Acrescentou que, durante os dias em que a paciente esteve internada naquela unidade hospitalar, não houve assistência médica adequada por parte de especialistas de saúde, tendo ficado à mercê dos cuidados de estagiários que pouco ou nada sabiam fazer para melhorar o seu quadro clínico.
Avançou também que, durante o período em que esteve naquele hospital, observou muita falta de humanização no atendimento, bem como agressões físicas e verbais por parte dos
técnicos de saúde aos pacientes, alegando que a sua filha passou pelo mesmo processo, além de ter sido abandonada.
“Na sexta-feira, dia 16, o quadro clínico alterou-se e fomos transferidos para o Hospital Josina Machel, mas antes vi a minha filha com um ferimento na região do olho. Perguntei às enfermeiras o que se passava e ninguém quis dizer nada, nem sequer me prestavam atenção. Quando reparei, havia sido suturada com dois pontos, e uma das pacientes informou-me que ela foi agredida e posteriormente caiu da cama”, explicou.
Salientou que foram transferidos três pacientes para o Hospital Josina Machel e, após o médico observar a sua filha, questionou a enfermeira que os acompanhava sobre a razão de a paciente estar naquele estado.
A enfermeira, sem rodeios, afirmou que a mesma havia sido dopada devido à malária.
O doutor, enfurecido, disse a nossa entrevistada, repreendeu a colega de profissão e recusou-se a receber a paciente, por não saber que tipo de medicamento lhe havia sido administrado, nem por quanto tempo permaneceria no organismo para se prosseguir com o tratamento
“Quando chegámos ao Hospital Josina Machel, o doutor ficou muito chateado, ralhou com o colega, recebeu apenas dois pacientes e mandou-nos regressar para o Hospital dos Cajueiros, onde, mesmo assim, continuou a ser abandonada até perder a vida por volta das 20 horas do mesmo dia”, lamentou a mãe, visivelmente abalada com a morte da filha.
Revoltada, a família clama por justiça e exige que os técnicos de saúde que procederam de tal maneira sejam responsabilizados.
Importa referir que a malograda deixa quatro filhos, com as idades de 12, 7, 4 e dois anos.
O Na Mira do Crime deslocou-se até àquela unidade hospitalar, onde ouviu o contraditório por parte do Director Geral, Daniel Café, que nega as acusações e esclareceu que a paciente chegou ao hospital com agitação e alucinações e, pelas queixas apresentadas, foi diagnosticada com malária, alegando que foi atacada a causa.
A direcção do hospital achou conveniente fazer uma observação durante sete dias, tendo sido detectados alguns distúrbios neurológicos.
“Pelo comportamento que apresentava, partiu uma cama e, por falta de especialistas na área, houve necessidade de transferi-la para a psicoterapia. Chegou lá um pouco sonolenta, foi recebida pelos especialistas daquela unidade hospitalar que, após avaliarem o estado clínico da mesma, passaram uma receita para a medicação da referida patologia e orientação para regressar, a fim de ser acompanhada pela direcção do nosso hospital. Porém, após regressar, foi colocada na cama e, horas depois, foi a óbito”, informou o responsável.







