Falta de água corrente no Complexo Escolar nº 3044 no Cazenga obriga alunos a levarem diariamente cinco litros do líquido precioso
A falta de água corrente no Complexo Escolar nº 3044, localizado no bairro Calawenda, município do Cazenga, província de Luanda, está a obrigar alunos com idades entre 9 e 13 anos a levarem diariamente pelo menos cinco litros deste líquido para a instituição de ensino público, situação que preocupa os pais e encarregados de educação.
Por: Adão Paxi
De acordo com alguns encarregados de educação ouvidos pelo Jornal NA MIRA DO CRIME, esta prática já perdura há um mês e tem causado grande preocupação.
Segundo relataram, todos os dias às crianças saem de casa com bidões de cinco litros de água, uma responsabilidade que, no entender dos pais, não deveria recair sobre alunos de uma escola pública.
“Todos os dias somos obrigados a encher bidões de cinco litros para os nossos filhos levarem para a escola, quem tem cinco crianças a estudar ali acaba por levar 25 litros de água diariamente. Isso é triste”, lamentou um encarregado de educação.
Os pais explicam ainda que a escola dispõe de um tanque de água, mas que, até ao momento, não tem sido abastecido, alegadamente devido ao elevado número de alunos que frequentam a instituição.
“Mesmo sendo uma escola do Estado, o Governo tem a obrigação de garantir água potável, até em muitas escolas privadas há mais organização e preocupação com a saúde das crianças, não é aceitável que uma escola pública obrigue alunos a levar água de casa”, afirmou.
A situação foi igualmente denunciada por Diogo Francisco, que reforçou as preocupações dos encarregados de educação e apelou à intervenção urgente das entidades competentes.
“É inadmissível que crianças entre os 9 e 13 anos de idade sejam obrigadas a levar bidões de água todos os dias para frequentarem a escola, estamos a falar de uma instituição pública que devia garantir condições mínimas de higiene e saúde, esta situação expõe as crianças a riscos e demonstra negligência das entidades responsáveis, daí apelamos às autoridades competentes para que intervenham com urgência e resolvam este problema”, denunciou.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o director da referida instituição, Januário Moniz Tomás, negou que os alunos estejam a ser obrigados a levar água para a escola, classificando a situação como um mal-entendido.
“Explicámos aos pais e encarregados de educação que a escola enfrenta dificuldades no abastecimento de água.
Pedimos apenas a colaboração dos pais para ajudar a manter a escola limpa, tendo em conta o elevado número de alunos", disse.
Acrescentou que foi nesse contexto que solicitaram que, quem pudesse, trouxesse cinco litros de água com o educando.
O responsável acrescentou ainda que a medida não é obrigatória.
“Ninguém é forçado a levar água, quem quiser colaborar pode, quem não quiser, não é obrigado”, concluiu.







