Assalto em residência no Morro Bento causa sérios prejuízos: Vítima acusa Ministério Público de letargia quando há pistas de possíveis que podem levar à descoberta dos criminosos
Um jovem de nome Santos Egas Moniz, de 32 anos de idade, professor, foi vítima de um assalto em sua residência por indivíduos ainda não identificados, ocorrido no dia 6 do corrente mês, no bairro do Morro Bento, município de Talatona.
Por: Adão Paxi
Segundo dados preliminares, o caso revela indícios de uma rede criminosa, tentativas de fraude bancária no valor de milhões de kwanzas, uso indevido de identidade digital e alegada inércia das autoridades policiais e do Ministério Público.
A situação obrigou a vítima a abandonar a sua própria casa por receio de segurança. O crime ocorreu na madrugada de terça-feira, 20, quando Santos foi surpreendido dentro de sua residência, localizada na zona do Banco BIC da Jonce, no bairro do Morro Bento.
Enquanto dormia, indivíduos ainda não identificados invadiram a casa e levaram diversos bens de elevado valor.
"Quando saí do quarto para a sala, percebi que algo não estava bem, levaram televisão plasma de 42 polegadas, o monitor e o computador de mesa, um computador portátil HP de 13ª geração, o iPhone 13 que estava a carregar, além da minha pasta de serviço com todos os documentos pessoais e cerca de 250 mil kwanzas, haviam desaparecido", relatou a vítima.
De imediato, Santos dirigiu-se à nova esquadra do Morro Bento 2, onde formalizou a participação criminal, por coincidência, encontrou um antigo formando seu, afecto àquela unidade policial, que o encaminhou ao comandante da esquadra e, posteriormente, ao gabinete do DIIP, na pessoa do Senhor Celson Mwacassange, que se deslocou à residência para realizar diligências preliminares.
Contudo, segundo a vítima, após essa ação inicial, o processo entrou num silêncio inexplicável, três dias após o assalto, numa sexta-feira, Santos ligou para o seu iPhone roubado e a chamada foi atendida.
"Um jovem disse-me que tinha encontrado o telefone no Dangereux e que iria devolvê-lo, mas começou a dar muitas voltas, ora dizendo que estava no Dangereux, ora no Kicuxi. Percebi que algo não estava certo", contou.
A situação agravou-se quando, após recuperar a segunda via do seu número telefónico na Unitel, Santos começou a receber mensagens do Banco BAI alertando sobre tentativas de transferência no valor de 4 milhões e 500 mil kwanzas da sua conta para outra conta.
A rápida intervenção permitiu-lhe bloquear o acesso, retirar os valores existentes e identificar, através do IBAN, a empresa beneficiária da tentativa de fraude, Trans Verls Prestação de Serviço, sediada em Luanda, no município de Cacuaco, bairro 04 de Fevereiro, portadora do NIF n.º 5417551252.
Munido dessas informações, a vítima voltou às autoridades, a polícia encaminhou o processo ao procurador afecto à nova esquadra do Morro Bento 2, no entanto, a resposta causou indignação.
"O procurador disse simplesmente que não podia fazer nada, alegando que talvez a empresa tenha sido usada apenas como via de passagem do dinheiro", denunciou Santos.
"Se a empresa foi identificada, o mínimo seria chamar o proprietário para explicar por que razão um telefone roubado está a tentar transferir milhões para a sua conta, dizer que não pode fazer nada é inaceitável", afirmou.
O caso ganha contornos ainda mais preocupantes com a confirmação de que o seu Apple ID (iCloud) continua activo e a ser utilizado por terceiros.
Santos afirma estar a receber notificações de acesso ao seu e-mail, o que indica que os suspeitos acompanham os seus movimentos digitais e aguardam uma eventual nova associação dos dados bancários a um dispositivo Apple.
"Isso significa que estou a ser monitorado, sinto-me em perigo real, por isso fui obrigado a mudar de residência", revelou.
Apesar de Santos e outros moradores terem indicado à polícia alguns jovens do bairro que poderiam estar envolvidos ou ter fornecido informações privilegiadas para o assalto, até ao momento nenhum suspeito foi notificado para prestar esclarecimentos.
Enquanto isso, Santos Egas Moniz vive entre o medo, a incerteza e a sensação de abandono institucional, aguardando que o seu caso deixe de ser tratado "com calma" e passe a receber a urgência que a gravidade dos factos exige.







