Na Rua da Vergonha: Pastor da Igreja Ministério Profético e seu adjunto acusados de envolvimento em caso de burla
Os fiéis da Igreja Profética Hosana, localizada na Rua da Vergonha, município dos Mulenvos, com sede nas províncias de Luanda e Cuanza-Norte, acusam o seu pastor, de nome Jordade Ganda Manuel Bessa, e o seu adjunto, Jesus Bravo Teles, de estarem envolvidos em um escândalo de burla relacionado com falsas bolsas de estudo para os Estados Unidos da América.
Por: Solange Figueira
Os factos ocorreram no mês de Agosto do ano transacto (2025), quando o pastor anunciou à igreja várias vagas para bolsas de estudo nos Estados Unidos da América.
Após o recebimento do dinheiro, os acusados começaram a dar voltas às vítimas, que já tinham os passaportes tratados. A situação tornou-se estranha pelo facto de o pastor e o seu adjunto nunca terem apresentado qualquer documento que confirmasse a viagem.
Segundo os denunciantes, mais de 10 pessoas foram burladas nas províncias de Luanda e Cuanza-Norte, entre elas fiéis da igreja e estudantes universitários da universidade onde a esposa do pastor estudava. Todos foram enganados. A cobrança dos valores era feita da seguinte maneira:
O pastor, todos os domingos, subia ao altar e anunciava as vagas, manipulando os fiéis com falsas promessas de que uma universidade nos Estados Unidos da América estava a receber alunos a um custo acessível, sem nunca mencionar o nome da instituição ou a sua localização.
Muitos acreditaram nas promessas por confiarem no seu cargo religioso.
O seu adjunto, conhecido como Professor Jesus, era quem ficava responsável pelo processo, recebendo o valor de 300 mil kwanzas por pessoa, tanto em dinheiro como por transferências bancárias.
As cobranças não eram feitas apenas nos dias de culto, mas também por chamadas telefónicas e mensagens.
Depois de vários fiéis terem efectuado os pagamentos, para surpresa dos denunciantes, a esposa do pastor, identificada como Pastora Ariela Ganda, durante os cultos, ao subir ao altar, dava testemunhos afirmando que o irmão Jesus, o adjunto, lhe oferecia bens materiais como arca congeladora, liquidificador, entre outros.
Segundo os fiéis, tratava-se de uma estratégia para incentivar outros membros a oferecerem-lhe bens materiais.
De acordo com dona Maria, mãe solteira que sustentava os seus cinco filhos com um negócio próprio, depois de ter pago 600 mil kwanzas para que dois dos seus filhos fossem estudar nos Estados Unidos da América, acabou por ir à falência.
“O pastor Jordade abusou da nossa confiança. Sou crente desta igreja há vários anos, frequentava a de Luanda e a da província do Cuanza-Norte. Tanto assim é que a igreja do Cuanza-Norte fechou por causa das burlas. Lá o valor foi ainda maior. Só começámos a desconfiar quando a Pastora Ariela, todos os domingos, se gabava das ofertas do Professor Jesus, que lhe oferecia vários electrodomésticos. Foi aí que começámos a exigir explicações. No momento da cobrança, faziam muita pressão, ligavam constantemente e até nos obrigaram a tratar os passaportes com urgência. Quando passámos a cobrar respostas, começaram a fugir. O pastor devolveu apenas 300 mil kwanzas e disse que não devolveria o restante. Por isso fiz a denúncia. Quero o meu dinheiro de volta e que eles sejam responsabilizados, porque são lobos disfarçados de pastores e homens de Deus.”
João Segredo, uma das vítimas e filho de Dona Maria, afirma que, devido à arrogância e ao abuso dos pastores, foi apresentada uma participação criminal contra os mesmos na esquadra do Muro, onde consequentemente foi aberto o processo com n° 2204/25-VNC.
" Após a denúncia, fomos chamados para prestar declarações. Comparecemos todos, mas o pastor não apareceu, enviou apenas o seu adjunto, Professor Jesus", relatou.
Acrescentou que em primeira instância, o pastor assumiu a burla e assinámos um termo de compromisso em que constava o pagamento dos 600 mil kwanzas. A primeira parcela foi paga. Com a demora no pagamento da segunda parte, voltámos à esquadra do Muro.
"O Professor Jesus compareceu acompanhado de um advogado, mostrou-se visivelmente alterado e afirmou que não pagaria os restantes 300 mil kwanzas, alegando também ter sido burlado" disse.
Salientou que o instrutor do processo esclareceu que isso não dizia respeito às vítimas. O advogado afirmou ainda que o termo só foi assinado porque não estava presente. Por essa razão, o processo prosseguiu. No dia 21 deste mês fomos encaminhados à PGR da Esquadra 44, na Estalagem da Moagem.
Os acusados foram notificados, mas não compareceram.
"Sentimo-nos enganados. Abandonei os estudos à espera desta viagem. Fizemos os passaportes com muito sacrifício. Hoje estamos parados, decepcionados. Queremos apenas a devolução do nosso dinheiro", exigiram.
O Na Mira do Crime, em contacto com um dos acusados, o pastor Jordade Ganda Manuel Bessa, informou que o caso está a ser tratado pelo seu advogado.
Falámos também com o advogado, que se identificou como João Albano, o qual afirmou ter conhecimento do processo n.º 2435/25, que corre termos na PGR junto do SIC Zango 8.000.







