No Belas: “Tipo Rico” e “Dá Fató” aterrorizam o Bairro Mundial sob o olhar pávido e sereno das autoridades
Os moradores da zona do Morro dos Veados, no Bairro Mundial, município de Belas, queixam-se da insegurança devido ao crescimento da onda de assaltos à mão armada em residências e na via pública, que está a instalar um clima de medo na comunidade, por alegadamente estarem proibidos de circular à noite. Acusam a falta de policiamento como o principal factor do aumento da criminalidade, protagonizada por elementos devidamente identificados.
Por: Adão Paxi
Segundo relatos da população, os crimes violentos tornaram-se frequentes, com assaltos praticados à mão armada e com outros recursos contundentes, como facas, catanas, paus e pedras, principalmente no período nocturno, das 19 às 22 horas.
Afirmam os moradores que muitas dessas ocorrências acontecem a menos de 500 metros dos locais onde a polícia se encontra posicionada.
De acordo com testemunhas, a actuação policial, sob a chefia do inspector-chefe Nguza, é mais visível nas estradas principais, onde os agentes estariam focados na fiscalização e cobrança de valores a taxistas e moto-taxistas, independentemente do horário.
Já nas zonas residenciais, onde a população clama por segurança, não há rondas regulares nem resposta urgente às denúncias.
“Vivemos com medo porque depois das 19 horas ninguém anda tranquilo. A polícia está ali na estrada a parar táxis, mas aqui dentro do bairro somos nós por nossa conta”, afirmou um morador que preferiu não se identificar, residente há mais de dez anos no local.
Outra moradora, Maria da Conceição, relatou um episódio recente que chocou a comunidade.
“Há poucos dias, um senhor que ia para o serviço foi abordado por dois indivíduos numa motorizada, que apontaram uma arma de fogo, roubaram-lhe os pertences e, ainda assim, desferiram-lhe um golpe de faca. Isso aconteceu minutos depois de vermos a polícia a cobrar dinheiro aos motoqueiros na estrada principal”, contou.
“Estamos sempre a denunciar, mas nada muda. Parece que o trabalho deles é só arrecadar dinheiro na via principal. Não há rondas, não há prevenção. Assim, a criminalidade cresce e o povo perde a confiança”.
“Quem quiser confirmar o que estamos a dizer, que venha por volta das 18 horas à zona da antiga praça. Vai ver a polícia toda concentrada na estrada e o bairro completamente abandonado”, reforçou um dos moradores.
Durante a reportagem, o Na Mira do Crime identificou os pontos mais críticos onde os marginais têm actuado e os nomes de dois dos marginais mas temidos, “Tipo Rico” e “Dá Fató”, que actuam desde a Rua Principal da Tia Augusta até ao Colégio Jasmir, no período nocturno, a partir das 19 horas.
Moradores denunciam a falta de policiamento preventivo nos bairros e acusam a polícia local de concentrar-se apenas na cobrança de valores a taxistas e motoqueiros nas principais vias, enquanto a criminalidade avança a poucos metros dos postos policiais.







