O caso vai a tribunal - Filho de Santos Bikuku acusado de apoderar-se do património familiar durante incapacidade do pai
A família de João Ernesto dos Santos Lino, conhecido nas lides empresariais como Santos Bikuku, antigo oficial da Polícia Nacional de Angola, denuncia a existência de factos que considera extremamente graves relacionados com a alegada apropriação ilícita do seu património durante o período em que o mesmo se encontrava gravemente doente, incapacitado e sem condições para exercer a sua vontade, pelo filho primogénito de nome Wilson Quiluanje dos Santos, de 38 anos de idade, actualmente residente em Dubai.
Por: Kihunga Bessa
Segundo os familiares, Santos Bikuku, figura pública reconhecida e respeitada, integrou quadros de comando da Polícia Nacional. Nos últimos anos de vida, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que lhe provocou perda progressiva das capacidades cognitivas e motoras.
Esteve internado desde Agosto de 2024, inicialmente em Luanda, tendo sido posteriormente transferido para Lisboa para tratamento médico, onde viria a falecer a 8 de Outubro de 2025.
Vanilson dos Santos, de 29 anos de idade, segundo filho da vítima residente em Paris, após a transferência do seu pai para Portugal, Wilson Quiluanje dos Santos, o primogénito do malogrado, passou a controlar de forma exclusiva o acesso ao pai, impedindo visitas de outros filhos, irmãos e familiares próximos. Esse isolamento terá resultado na ausência total de informação fidedigna sobre o estado clínico de Santos Bikuku para a maioria dos seus herdeiros.
Acrescentou que aproveitando-se da situação de fragilidade clínica e incapacidade comprovada, Wilson Quiluanje dos Santos terá passado a gerir, sem legitimidade legal, os assuntos pessoais e empresariais do pai. A família denuncia que, em Maio de 2025, foi vendido de forma ilegal um prédio então em fase de construção, pelo valor aproximado de 6,5 milhões de dólares norte-americanos.
De acordo com os denunciantes, o imóvel fazia parte do património pessoal de Santos Bikuku e não de qualquer empresa, tendo sido alienado sem o seu consentimento, com recurso a assinaturas alegadamente falsificadas, numa altura em que o proprietário já não possuía capacidade clínica para compreender ou autorizar qualquer acto jurídico.
A maior parte do valor resultante da venda terá sido apropriada por Wilson Quiluanje dos Santos, que, posteriormente, passou a residir no estrangeiro, nomeadamente no Dubai, onde exibe um padrão de vida considerado incompatível com os seus rendimentos conhecidos.
Em Janeiro de 2026, o mesmo terá transferido para alguns irmãos cerca de 14 milhões de kwanzas, montante que a família classifica como irrisório face ao valor total obtido com a venda do imóvel. A distribuição selectiva desse valor é interpretada como uma tentativa de silenciamento e criação de divisões internas, num contexto em que vários herdeiros vivem em situação económica precária.
"Ele está a improvisar com a distribuição de 14 milhões de kwanzas para cada filho que está em Luanda quando o mesmo, nesta altura, está a beneficiar-se de 6,5 milhões de dólares norte-americanos e a viver no Dubai", disse um dos familiares.
A família foi mais longe denunciando ainda ameaças e intimidações, incluindo a utilização de testes de DNA como instrumento de pressão contra irmãos, bem como ameaças de morte dirigidas a um dos herdeiros residente em França, que contestou as alegadas irregularidades.
Outro ponto sensível envolve filhos legalmente adotados por Santos Bikuku, que, segundo a denúncia, foram deliberadamente excluídos e ilegitimados. A paternidade terá sido usada como mecanismo de divisão familiar.
A situação afecta também crianças menores de idade. Mães de filhos menores relatam humilhações e o corte abrupto de apoios financeiros, deixando crianças sem assistência básica, apesar da existência de património suficiente para garantir o seu sustento.
Existem igualmente indícios de envolvimento de funcionários e dirigentes da empresa familiar, que poderão ter actuado como intermediários na venda do imóvel e beneficiado de comissões ilícitas.
Afirmam estar a preparar queixas formais junto da Procuradoria-Geral da República, reunindo provas médicas, documentais e bancárias. Entre os crimes alegadamente em causa estão abuso de pessoa vulnerável, falsificação de documentos, burla patrimonial, desvio de fundos, intimidação de herdeiros e indícios de branqueamento de capitais.
A intenção é informar a opinião pública, proteger os herdeiros, preservar a memória de Santos Bikuku, antigo servidor do Estado angolano, e apelar às autoridades competentes para uma actuação célere, transparente e rigorosa.
O Na Mira do Crime, contactou o acusado através de mensagens por via normal e WhatsApp para ouvir o contraditório, mas sem sucesso.







