Centro de Saúde "São Lucas" nega-se a passar relatório médico a paciente em tratamento de tuberculose o que pode significar o seu despedimento do seu local de trabalho - Cidadão pede ajuda a ministra da Saúde
Um cidadão nacional que atende pelo nome Delsa Manuel, de 58 anos de idade, residente no bairro Boa Esperança, Rua do BFA, comuna do Kicolo, município de Cacuaco, operário de uma fábrica de bolachas localizada na zona da Kianda, em Luanda, enfrenta várias dificuldades porque padece de uma infecção pulmonar. O cidadão reclama ainda da não cedência de um relatório médico pelo Centro de Saúde São Lucas, onde se encontra a tratar a doença, situação que pode significar o seu despedimento do emprego.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em entrevista ao Na Mira do Crime, o senhor disse que foi diagnosticado com infecção por tuberculose pulmonar em Setembro de 2025. Desde então, encontra-se sob tratamento médico no Centro de Saúde São Lucas, localizado na comuna do Kifangondo, município do Sequele, província do Icolo e Bengo.
O cidadão avançou ainda que, desde Novembro, foi orientado pela empresa onde trabalha a apresentar, até ao início do mês de Março do corrente ano, um relatório médico, sob pena de ser despedido.
“Solicitei várias vezes o relatório médico ao referido Centro e nunca me foi entregue. O prazo aproxima-se e, caso eu não o apresente, o meu salário será cortado e poderei perder o emprego. Não sei quem irá sustentar os meus filhos e pagar o tratamento da minha doença”, lamentou, em lágrimas.
Face à situação, o paciente procurou marcar nova consulta médica noutra unidade hospitalar para conseguir um relatório médico e, posteriormente, apresentá-lo à empresa.
“Tive de ir ao Hospital do Dande, na Açucareira. Fiz a consulta, o médico solicitou todos os exames e disse que estou em fase de melhoria. Porém, para dar continuidade ao tratamento, preciso de uma transferência do hospital onde iniciei o tratamento. Foi assim que aproveitei para explicar as razões que me fizeram mudar de hospital. O médico ficou comovido, levou-me à sala do director clínico, que me atendeu bem, mas esclareceu que apenas o São Lucas deve emitir o relatório”, lamentou o paciente.
Luísa Marcelino, sobrinha do senhor, sublinhou que a família está preocupada com o estado psicológico do paciente, por conta desta situação, que poderá afectar negativamente o seu quadro clínico.
“Ele chora muito, está bastante desesperado porque, sem o relatório médico, poderá perder o emprego. Pela sua idade, onde irá conseguir outro emprego?”, questionou a sobrinha.
Acrescentou que, nesta quinta-feira, dia 11, acompanhou o tio ao Centro de Saúde São Lucas para saber as reais razões que impossibilitam a entrega do documento.
“Ele precisa apenas do relatório médico para se submeter à junta médica e apresentar no local de trabalho. Fui ao referido Centro explicar a situação e passaram apenas uma transferência. Disseram que não será possível entregar o relatório por não haver médico disponível para assiná-lo”, explicou.
O paciente sublinhou que não consegue controlar as alterações emocionais e pede às autoridades sanitárias competentes da província do Icolo e Bengo que o ajudem a ultrapassar a situação.
“Peço a ajuda da Direcção da Saúde do Sequele ou até da Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, para que me ajudem a obter o relatório médico. Não quero perder o emprego e depois estar na rua a pedir esmolas, pois ainda tenho forças para trabalhar. Ajudem-me, por favor”, clamou o senhor.







