Funcionários da empresa Santo George de cidadãos eritreus denunciam condições precárias de trabalho
Os Trabalhadores da Indústria Santo George (ST), pertencente a cidadãos estrangeiros de nacionalidade eritreia, localizada no bairro Kifangondo, município do Sequele, província de Icolo e Bengo, responsável pela produção de massa alimentar e farinha de trigo, denunciam
alegadas condições precárias de trabalho, especialmente no sector de estivagem de trigo, enfrentando um ambiente laboral considerado inadequado, com falta de condições mínimas de segurança, dignidade e bem-estar.
Por: Kihunga Bessa
Visivelmente agastados com a situação, os entrevistados que preferiram falar sob anonimato ao Na Mira do Crime, com medo de represálias por parte dos patrões, informaram que os estivadores de trigo são os mais afectados pelas dificuldades estruturais e operacionais dentro da empresa.
Além das más condições de trabalho, os queixosos reclamam da alimentação fornecida pela entidade empregadora.
Acrescentaram que, todos os dias, a refeição servida é apenas arroz com feijão, sem óleo ou outros ingredientes básicos, o que levanta preocupações quanto à qualidade nutricional oferecida aos funcionários.
Os denunciantes afirmam que a situação compromete a saúde e o rendimento dos trabalhadores.
Há ainda acusações de maus-tratos no ambiente laboral, o que, segundo os relatos, contribui para um clima de insatisfação e desmotivação entre os funcionários.
“Podemos considerar os nossos chefes como colonos, porque somos obrigados a trabalhar horas extras, mas não somos pagos, e ninguém pode reclamar, porque ameaçam com despedimentos”, disseram.
Os trabalhadores apelam à intervenção das autoridades competentes para averiguar os factos e garantir o cumprimento das normas laborais vigentes.
Olhando para o contexto actual, em que as empresas, sobretudo as geridas por cidadãos estrangeiros, com maior realce para as de nacionalidade chinesa e eritreia, são consideradas as mais problemáticas no que concerne ao incumprimento dos direitos dos trabalhadores.
Este jornal contactou o jurista Félix João para saber onde está "a falha".
Este pede maior empenho aos órgãos fiscalizadores, sobretudo à Inspecção-Geral do Trabalho (IGT), na qualidade de órgão vocacionado para as actividades inspectivas, no sentido de responsabilizar aqueles que assim procedem.
O jurista pede igualmente imparcialidade e coragem aos colegas de profissão diante de casos conflituosos, quando são contratados pelas empresas para o efeito.
“Alguém que é aplicador da lei deve ser imparcial, defendendo as partes, porque houve um contrato numa relação jurídica entre elas, onde devem cumprir as suas obrigações”, defendeu.
Nesta quarta-feira, 11, o jornal Na Mira do Crime dirigiu-se àquela instituição, no intuito de ouvir o contraditório das acusações que recaem sobre a direcção da empresa.
Um dos patrões, de nacionalidade eritreia, que não quis ser identificado, recusou-se arrogantemente a prestar quaisquer declarações e pediu ao jornalista que se retirasse da empresa.







