Agentes da Polícia do Zango-04 acusados de torturar adolescente com catana e mangueira no interior da Esquadra - vítima foi arrancada as unhas e tem fraturas no braço
Quatro efectivos da polícia da Esquadra do Zango-04 estão a ser acusados de irem à casa de uma adolescente que atende pelo nome Santa Clara da Costa Miguel, acusando-a de publicar a imagem de uma amiga e a difamar. A vítima foi levada para a esquadra do SIAC, onde foi agredida pelos agentes que a bateram com uma catana, culminando com fracturas no braço direito.
Por: Solange Figueira
Familiares alegam que, depois das investigações, apurou-se que a vítima estava a ser acusada injustamente.
Dias depois do caso ser resolvido, o braço da vítima começou a inchar. Por esta razão, levaram-na ao hospital, fizeram um raio-x e, nos exames, foi possível constatar que a agressão feita pelos agentes culminou com uma fractura no braço.
Os denunciantes acrescentaram ainda que foram à esquadra novamente dar a conhecer sobre o facto, porém foram banalizados pelo seu Comandante, que não mostrou interesse em resolver o caso.
Santa Clara , a vítima, conta que foi severamente torturada dentro de uma cela.
"Os agentes me pediram para entrar na cela. Um outro agente foi buscar uma mangueira com que me bateram nas costas e não só. Ofendeu-me, me chamou de bandida e vários nomes", informou, acrescentando que outro agressor foi pegar uma catana.
"Arrancou-me as unhas, me pediu para ajoelhar e bateu com a catana nos braços. Me puxou pelo cabelo. Um dos detidos ainda disse ao agente que eu sou mulher e não deveria me bater daquela maneira, mesmo assim ele continuou", contou.
"Me mandou deitar no chão para bater-me com com a catana nas nádegas, mas não aceitei", tendo sido posta em liberdade no mesmo dia.
"No dia seguinte, os meus braços inflamaram, fomos ao hospital, e foi descoberta uma fractura", acresceu, confessando que não fez nada para ser tratada daquela maneira.
"Eles estavam a me pedir para confirmar algo que eu não fiz. Não aceitei me culparem porque sou inocente. Estou com muitas dores no braço", assegurou.
João Paulo Miguel, irmão mais velho da denunciante, conta que são órfãos de pai e mãe, e que a irmã vive com uma tia, que confirmou a inocência da mesma.
"A minha irmã é uma adolescente de 17 anos. O que os agentes fizeram com ela é algo bizarro. Chegaram ao ponto de arrancar as unhas dela com porrada. A jovem que a acusou é amiga dela íntima, ela não fez nada. Eles bateram nela sem provas. Fomos reclamar na esquadra, mas o comandante não nos deu atenção. Nós queremos justiça, que os agentes da esquadra do Zango-0 4 sejam responsabilizados.







