Agressão de fiscais resulta em aborto de uma vendedeira no município de Calumbo, duas mulheres estão detidas há mais de três dias por suposta orientação do administrador municipal
Três vendedeiras ambulantes terão sido agredidas por fiscais da administração municipal de Calumbo, na última sexta-feira, 13, no bairro Zango III, zona da Última Paragem. Segundo familiares, uma das mulheres, grávida de três meses, perdeu o bebé após as agressões. Duas das envolvidas permanecem detidas na esquadra do Zango 4.
Por: Solange Figueira
De acordo com relatos das denunciantes, as três mulheres, Bernarda dos Santos, Marieta da Silva e Isabel António comercializavam artigos alusivos ao Dia dos Namorados em frente a um restaurante, quando um fiscal da administração municipal terá retirado uma caixa de presente sem efetuar o pagamento.
Ao reivindicarem o valor do produto, afirmam que o agente recusou-se a devolver o produto e chamou outros fiscais ao local.
Segundo as mesmas, mais de oito fiscais teriam agredido fisicamente as vendedeiras. Durante o tumulto, uma das mulheres, que se encontrava grávida de três meses, começou a sentir-se mal.
Posteriormente, já sob custódia policial, apresentou hemorragia e foi encaminhada a uma unidade hospitalar, onde terá ocorrido o aborto.
Após atendimento médico, foi posta em liberdade.
Acrescentaram que, durante a discussão inicial, um dos fiscais teria empunhado um martelo com intenção de agredir uma das mulheres, sendo contido por populares que presenciavam a cena.
As outras duas mulheres, mãe e filha, continuam detidas na esquadra do Zango 4.
Familiares afirmam que, a permanência na cela ocorre por alegada orientação do administrador municipal de Calumbo, Francisco Tchipilica.
Sérgio dos Santos, esposo e pai das detidas, afirmou que a polícia local demonstrou disponibilidade para resolver a situação, mas que teria recebido instruções superiores para manter as mulheres sob custódia.
“Disseram que ninguém pode soltá-las porque são presas do administrador. Elas não fizeram nada. Quem iniciou a agressão foi o fiscal”, declarou.
Mendes António, esposo de Isabel António, a vendedeira que perdeu o bebé, afirma que foi informado por telefone pela polícia sobre o aborto.
“A minha esposa saiu bem de casa, não resistiu às agressões e perdeu o nosso bebé...Está em estado de choque”, lamentou.
Contactado pela reportagem do Na Mira do Crime, um dos fiscais apontado por testemunhas como tendo iniciado as agressões, identificado como Max Alberto, negou as acusações.
Segundo ele, não houve agressão por parte dos fiscais.
“Isso é mentira. As senhoras é que criaram tumulto e tentaram obstruir o trabalho da fiscalização. Quem efetuou a detenção foi a polícia. O administrador não mandou prender ninguém”, afirmou, acrescentando desconhecer a existência de uma mulher grávida entre as envolvidas.
O Na Mira do Crime contactou com o director de comunicação do município de Calumbo, Miguel Madeira, fez saber que a Administração do Calumbo, há três meses começou uma campanha de sensibilização concernente à venda desordenada na via pública.
"Temos conhecimento que houve resistência por parte de três vendedoras, que estavam a atuar numa zona proibida, onde a administração está a combater a venda desordenada. Temos sete mercados identificados para as vendedoras comercializarem. Na senda da campanha, aplicamos algumas medidas coercivas, e todos os cidadãos que forem apanhados a vender em áreas proibidas terão que responder criminalmente, e às suas mercadorias serão apreendidas", alertou.
O responsável disse ainda que desconhece o caso da senhora grávida que foi detida.
"Elas não foram agredidas pelos fiscais. Se às senhoras foram apanhadas a vender em locais que estamos a combater, são entregues à polícia e encaminhadas ao tribunal. Como estamos num feriado prolongado, o Ministério Público não está a trabalhar, mas o senhor administrador criou uma comissão de serviço que é coordenada pelo Administrador Adjunto, que está a tratar sobre a venda desordenada. Não é verdade que elas são presas do administrador. Ele não tem esta postura. O administrador só toma conhecimento do ocorrido através do relatório que enviamos", defendeu, acrescentando que o edil de Calumbo não conhece as pessoas acusadas, e que as acusações são infundadas.
A nossa equipa de reportagem ainda deslocou-se até à esquadra do Zango 4, onde foi confirmada a permanência das duas mulheres em detenção.
As denúncias fazem menção a agressão física, abuso de autoridade e detenção cuja legalidade é contestada pelos familiares.
O caso deverá ser apreciado pelas instâncias competentes para apuramento dos factos e eventual responsabilização criminal.







