Pânico depois de denunciarem maltratos - Trabalhadores da Pan China temem por despedimentos depois de receberem deputados da UNITA
Entre a euforia, desespero e futuro inseguro estão os mais de 200 trabalhadores da empresa Pan China, que alegam estar a sofrer maltratos de toda espécie que, só este ano, já provocaram 05 mortos. O grito de socorro foi acoitado pelos deputados da UNITA que, na manhã desta quarta-feira, 18, visitaram os estaleiros da empresa, nas imediações da Centralidade do Kilamba, onde puderam ver e ouvir a realidade.
Por: Lito dias
De acordo com uma nota de imprensa a que este Jornal teve acesso, a visita surge na sequência de denúncias feitas por trabalhadores, a 16 de Janeiro de 2026, sobre um incidente que culminou na morte de 5 trabalhadores, as péssimas condições de trabalho e salariais, bem como a falta de condições de higiene e segurança no trabalho.
“Durante a visita, os deputados constataram as degradantes condições de acomodação nos dormitórios dos trabalhadores angolanos, em quartos adaptados para 10 pessoas num contentor de 20 pés sem climatização, enquanto os trabalhadores chineses estão acomodados em grupos de 5 elementos, num contentor de 20 pés com climatização”, verificaram.
Além dessas disparidades, notaram também degradantes condições dos balneários, banheiros e cozinha, onde, do lado dos trabalhadores angolanos, “mais se parecem a pocilgas, com uma refeição indigna e sem os ingredientes necessários”
Os trabalhadores denunciaram, igualmente, os baixos salários que auferem (70 mil kwanzas), contra os 100 mil de salário mínimo nacional decretado pelo Executivo. “Temem, igualmente, por represálias, traduzidas em prováveis despedimentos, por terem acolhido a delegação de Deputados.
Na tarde do mesmo dia, 07 funcionários desapareceram, abrindo espaço para especulações e temor. Horas depois, surgiram informações segundo as quais tinham sido chamados pelo Departamento dos Recursos Humanos que os obrigou a escolher entre permanecer na empresa ou abandonarem-na. Três teriam optado por abandonar a empresa e, na sequência da decisão, foram indemnizados. Já os restantes decidiram permanecer na empresa.
No terreno, embora houvesse a maioria a aplaudir a atitude dos parlamentares da UNITA, apareceram alguns que se mostraram incrédulos, referindo que a visita não resolveria nada, por causa da insensibilidade dos governantes.
De referir que, no final da visita, a delegação rumou para a sede da Inspeção-Geral do Trabalho (IGT), com o objectivo de dar a conhecer o que encontrou nos estaleiros da Pan China e obter garantias de uma intervenção urgente daquele órgão do Estado vocacionado, o que, “lamentavelmente, não surtiu efeitos por indisponibilidade dos seus responsáveis.







