Despedimentos arbitrários e não pagamento de salários em atraso – Empresa de segurança “Suprema” acusada de maltratar funcionários
Mais de 30 ex-trabalhadores da empresa de segurança “Suprema”, do grupo Convennio, ligado à exploração e comércio de diamantes, sediada em Angola — Luanda- com filiais em Portugal, Emirados Árabes Unidos e África do Sul, procuraram o Na Mira do Crime para denunciar a sua direcção, liderada pelo cidadão José Pinto Rafael, por despedimentos arbitrários, falta de pagamento e desrespeito aos órgãos de justiça.
Por: Kihunga Bessa
Em nome do colectivo, o porta-voz Raul Xavier informou que, no mês de Março de 2025, a direcção da referida empresa decidiu pôr fim aos contratos dos trabalhadores em questão, muitos com mais de sete anos de serviço, sendo que vários tinham salários em atraso de quatro a cinco meses.
“Quando ele pediu para terminar os contratos, disse que pagaria os subsídios em atraso e algumas indemnizações que nos deixou em aberto”, disse, acrescentando que, passado o tempo prometido, voltaram a solicitar esclarecimentos para saber como estavam as coisas. Afirmou ainda que a direcção da empresa respondeu que ainda estava sem dinheiro para liquidar as dívidas e pediu que aguardassem mais algum tempo.
Por causa da demora, decidiram contratar um advogado para mediar a situação. Depois de várias solicitações sem êxito, preferiram levar o processo ao Tribunal da Comarca de Luanda, no Palácio Dona Ana Joaquina, onde a direcção da referida empresa foi notificada várias vezes e nunca se fez presente, desrespeitando a justiça.
O entrevistado afirmou que, mesmo com a falta de comparência, o tribunal não desistiu de convocar as partes até que, no mês de Junho do ano passado, a empresa foi representada pelo seu advogado. Diante deste, o tribunal exarou uma providência cautelar a favor dos funcionários.
Salientou que a empresa deve mais de 30 milhões de kwanzas, visto que os funcionários têm por receber, apenas em salários em atraso, sem contar com as indemnizações, mais de um milhão de kwanzas cada, sendo que desde os despedimentos já se passou quase um ano.
“O que nos deixa revoltados é que, sempre que vamos lá, ele diz que não tem dinheiro, mas está constantemente a reabilitar as suas casas e escritórios, inclusive a comprar carros novos. Logo, sabemos que o senhor José Pinto Rafael está a agir de má-fé”, frisou.
Os lesados clamam pela intervenção dos órgãos competentes no sentido de verem a situação resolvida.
O Na Mira do Crime contactou, via telefónica, por mensagens normais e WhatsApp, a direcção da empresa, na pessoa do acusado, para ouvir o seu posicionamento sobre o assunto, mas sem sucesso.







