Família denuncia morte de mulher após retirada de hospital para alegado tratamento espiritual: Marido e filhos "rebatem" acusações e contam outra versão
Uma família denunciou ao Jornal Na Mira do Crime a morte de Filomena Meio Dia Sabinza Afonso, de 48 anos de idade, que estava internada no Hospital Geral de Luanda.
Por: Débora Manuel
Segundo os familiares, Filomena encontrava-se em tratamento no serviço de Nefrologia/Hemodiálise da referida unidade hospitalar devido ao seu estado de saúde debilitado.
De acordo com o relato enviado à redação do Na Mira, no dia 14 de Fevereiro de 2026, o marido da paciente, Kuimba Afonso, de 56 anos de idade, teria retirado a esposa do hospital para levá-la para casa, alegadamente com o objetivo de realizar orações.
A família afirma que, dias depois, a situação da paciente continuava a inspirar cuidados. No dia 5 de Março, familiares da senhora terão aconselhado o marido a levá-la novamente ao hospital, mas, segundo o relato, o pedido não foi atendido.
Ainda segundo a denúncia, no dia 7 de Março de 2026, Kuimba Afonso teria levado a esposa para a província de Malanje, concretamente no município de Luquembo, para alegadamente procurar tratamento tradicional junto de um alegado kimbandeiro.
A família relata que, devido ao estado de saúde frágil da paciente, a situação agravou-se durante a deslocação. Filomena terá falecido no dia 8 de Março de 2026, enquanto era transportada numa motorizada.
Os familiares afirmam ainda que o corpo da vítima encontra-se em parte incerta na província de Malanje, sob responsabilidade do marido.
Na denúncia enviada ao Jornal Na Mira do Crime, os familiares acusam o marido de negligência e de recusa de assistência médica e medicamentosa para mulher, alegando que a vítima necessitava de acompanhamento hospitalar e medicação.
Kuimba Afonso é apontado na denúncia como suposto pastor ligado ao Centro Maranata da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal do Ministério Internacional da Paz.
A família pede agora que as autoridades competentes investiguem o caso e esclareçam as circunstâncias da morte.
Marido e filhos apresentam outra versão
Por sua vez, Kuimba Afonso, contactado pelo Na Mira do Crime, negou as acusações feitas pelos familiares da falecida.
Em declarações exclusivas a este Jornal, afirmou que tomou conhecimento das acusações quando ainda se encontrava em Malanje, após a morte da esposa.
Segundo disse, Filomena enfrentava problemas de saúde há cerca de 20 anos, período durante o qual foi submetida a vários tratamentos médicos em clínicas de Luanda e também fora do país.
O marido afirmou que, em 2024, a esposa iniciou sessões de hemodiálise devido ao agravamento do seu estado clínico e que, além do tratamento em Angola, a família também procurou assistência médica na Namíbia.
De acordo com Kuimba Afonso, após uma nova fase de agravamento da saúde da esposa, decidiu pedir apoio aos familiares da mulher para que participassem nas decisões sobre o tratamento.
Segundo afirmou, alguns membros da família teriam sugerido que Filomena fosse levada até parentes que residem no município de Luquembo.
O marido disse que aceitou a orientação e viajou acompanhado de um filho e de um familiar da esposa, com a intenção de entregar Filomena aos familiares que se encontravam naquela região.
Segundo relatou, já no interior do município de Luquembo, enquanto a esposa era retirada da motorizada para descansar, a mesma sofreu uma convulsão e acabou por perder a vida pouco tempo depois.
De acordo com o nosso entrevistado, devido às dificuldades de acesso na localidade, o corpo foi inicialmente mantido na residência de familiares até que fosse possível organizar o transporte.
Posteriormente, conta, foi levado para a cidade de Malanje, onde foi depositado numa morgue para os procedimentos legais.
Kuimba Afonso negou ainda as acusações de que teria levado a esposa a um alegado kimbandeiro. Segundo afirmou, limitou-se a cumprir a orientação de familiares da própria esposa que solicitaram que ela fosse levada até à província para receber apoio da família.
Os filhos do casal também saíram em defesa do pai. Segundo Joel Sabinza Afonso, a família ficou surpreendida ao tomar conhecimento das acusações através das redes sociais.
Joel afirmou que esteve presente durante a viagem e confirmou a versão apresentada pelo pai sobre os acontecimentos.
O filho manifestou ainda indignação com as acusações feitas publicamente e afirmou que a família pondera recorrer aos tribunais por considerar que houve difamação contra o pai.
A família concluiu afirmando que pretende que o caso seja esclarecido pelas autoridades competentes, para que sejam apuradas as circunstâncias da morte de Filomena Meio Dia Sabinza Afonso.







