Ingressou na corporação em 1984 e mantém a patente de 3.ª Classe - Flhos denunciam estagnação na carreira da mãe colocada no Comando do Kilamba-Kiaxi e pedem intervenção do ministro do Interior e do Comandante-geral
Familiares de uma agente da Polícia Nacional de nome Júlia Pascoal, manifestam o seu total descontentamento face à estagnação na carreira da progenitora, que conta já com 41 anos de serviço na Polícia Nacional de Angola, sem progressão significativa de patente, o que denotam o facto por esta não ter "padrinho na cozinha".
Por: Laurentino Tchatuvela
Segundo explicações dos filhos, que preferiram o anonimato e pedem que a mãe não seja conotada por esta denúncia, dizem que a efectiva ingressou na corporação no dia 07 de Agosto de 1984 e, até ao momento, detém a patente de agente de 3.ª classe.
A situação, de acordo com os mesmos, tem gerado preocupação e frustração no seio familiar, sobretudo pelo receio de que a mãe venha a atingir a idade de reforma sem o devido reconhecimento profissional.
Actualmente colocada no comando do Kilamba-Kiaxi, concretamente na zona Esquadra do Nova Vida, a agente continua a exercer funções com a mesma patente, sendo ultrapassada até por aqueles que têm apenas quatro anos de Polícia, apesar do longo percurso na instituição.
Os denunciantes apelam às autoridades competentes para que olhem com atenção para o caso, considerando tratar-se de uma situação que levanta questões sobre os critérios de progressão na carreira dentro da corporação.
“É triste ver alguém dedicar mais de quatro décadas de vida ao serviço público e não ter o devido reconhecimento, temos medo que a nossa mãe vá à reforma sem nada, ela lamenta todos os dias, mas não baixa a cabeça e segue firme nos seus afazeres ”, disseram.
Em Setembro do ano em curso, a agente completará 42 anos de serviço na Polícia, sendo que muitos efectivos com quem trabalhou são, actualmente oficiais superiores.
“Trabalhou quatro anos no Ministério do Interior, permaneceu 28 anos na Viação e Trânsito e, actualmente, está há quatro anos no Comando do Nova Vida sem ser promovida”, explicaram.
Contam ainda que a mãe já apresentou várias exposições dirigidas ao Gabinete de Recursos Humanos do Comando Provincial de Luanda, mas, até ao momento, sem sucesso.
“Presumimos que a nossa mãe esteja a ser ignorada, enquanto alguns chefes preferem promover familiares, o que acaba por prejudicar outros efectivos”, referiram.
Diante da situação, os familiares solicitam a intervenção de Francisco Monteiro Ribas da Silva, Comandante-Geral da Polícia Nacional, bem como de Manuel Homem ministro do interior, para que se pronunciem sobre o caso.
“Ela já se deslocou ao Comando-Geral para apresentar a situação, mas foi impedida por alguns funcionários”, frisaram.
“A nossa mãe continua a trabalhar porque Deus a mantém de pé, mas vive com muita frustração ao ver que colegas com quem encontrou na corporação são, hoje, seus superiores”, realçaram.
“Vivemos numa casa arrendada e enfrentamos muitas dificuldades”, acrescentaram.
“Temos um irmão que frequenta o terceiro ano do ensino superior, como vamos pagar os estudos?”, questionaram.
“O salário que ela aufere é gasto no aluguer e na escola, ela trabalha, mas desloca-se sempre a pé, será que não merece ser promovida como os outros colegas?”, questionaram.
Em Luanda e noutras partes do país, muitos efectivos, devido à frustração e às dificuldades, acabam por enveredar por caminhos errados, nalguns casos suicídio.
“Mais uma vez, apelamos ao Comandante-Geral e ao ministro do Interior para que façam algo, a fim de que esta senhora tenha uma patente com o tempo de serviço”, concluíram.







