Vigilante denuncia burla de 200 mil kwanzas após reconhecer falso subcomissário em reportagem do Jornal Na Mira do Crime
Um cidadão nacional identificado como Mauro Domingos Fernando, de 30 anos de idade, residente no bairro Estalagem, município de Viana, denunciou ter sido vítima de burla no valor de 200 mil kwanzas, alegadamente protagonizada por um indivíduo que se fazia passar por subcomissário da Polícia Nacional, de nome Maurício Francisco, após reconhecer o suspeito numa reportagem divulgada pelo jornal Na Mira do Crime.
Por: Débora Manuel
De acordo com o denunciante, que trabalha como vigilante de um banco no KM 30, o contacto com o suspeito ocorreu em 2025, depois deste ter instalado um estabelecimento comercial nas proximidades do seu local de trabalho.
Segundo o denunciante, a convivência entre ambos evoluiu naturalmente, o que criou um ambiente de confiança. “Ele aproximou-se de mim, conversávamos normalmente e até pediu para ajudarmos a vigiar o espaço dele durante a noite.
Nunca desconfiei de nada”, relatou. Com o tempo, o suspeito terá apresentado uma proposta de enquadramento nas fileiras da Polícia Nacional, alegando possuir contactos internos que facilitariam o processo.
“Disse que podia me ajudar a entrar na Polícia, mas que eu tinha que preparar um valor para tratar do processo, aquilo que ele chamou de gasolina’”, explicou.
O valor exigido foi de 200 mil kwanzas, quantia que o lesado afirma ter pago de forma faseada, devido às suas limitações financeiras.
“O primeiro valor foi 30 mil kwanzas, depois fui completando aos poucos até atingir o total. O último pagamento foi de 40 mil kwanzas, já no mês de Fevereiro deste ano”, disse. Após a conclusão dos pagamentos, o denunciante afirma que deixou de obter qualquer resposta por parte do suposto agente. “Enviei mensagem a confirmar que já tinha completado o valor, mas ele nunca respondeu.
Sempre evitava mensagens escritas e preferia falar por chamada. Depois desapareceu completamente”, contou.
A confirmação de que poderia ter sido enganado surgiu dias depois, ao deparar-se com uma publicação do jornal Na Mira do Crime, onde reconheceu o suspeito.
“Quando vi a reportagem, reconheci logo. Tirei a imagem e enviei para ele, mas não tive qualquer resposta”, afirmou.
O impacto da burla foi significativo para o denunciante, que afirma ter enfrentado dificuldades para reunir o valor. “Sou vigilante, ganho pouco. Fiz muitos sacrifícios para conseguir esse dinheiro, inclusive a minha família passou por privações”, referiu. Diante da situação, Mauro diz já ter formalizado a denúncia junto das autoridades e apela à responsabilização do suspeito.
“Quero que a justiça seja feita e que o meu dinheiro seja devolvido. Há muitas pessoas a serem enganadas com promessas falsas”, declarou.
O caso volta a levantar preocupações em torno de esquemas fraudulentos associados a falsas promessas de ingresso em instituições públicas, prática que continua a fazer vítimas em vários pontos do país.







