Negligência? - Três trabalhadores morrem asfixiados no Bengo durante limpeza de esgoto na Fazenda Filomena
Três cidadãos nacionais que, em vida, respondiam pelos nomes de Kwndila José Saldanha, de 38 anos de idade, Moisés Pascoal Domingos, de 34 anos, e Felizardo Maurício, funcionários da Fazenda Filomena, responsável pela produção de ração animal, com gestão egípcia, libanesa e indiana, localizada no município do Panguila, província do Bengo, morreram na tarde de quinta-feira, dia 02, no local de trabalho, vítimas de asfixia, depois de inalarem produtos tóxicos, quando supostamente efectuavam limpeza num esgoto, no interior de um túnel.
Por: Kihunga Bessa
Colegas, consternados, afirmam, sob anonimato, tratar-se de negligência por parte da direcção da empresa, e relatam que os factos ocorreram por volta das 17 horas, quando, depois da hora normal de expediente, já tinham largado o trabalho. Supostamente, a direcção da empresa terá recebido uma ligação de um cliente que precisava de pelo menos 75 litros de óleo de composição para rações.
Acrescentaram que, de seguida, convidaram os três trabalhadores para efectuarem horas extras. “Acredito que os colegas morreram por negligência da direcção, porque eles sabem que aí há produtos químicos e tóxicos, e não se entra enquanto está quente.
Ainda assim, foram orientados a entrar sem qualquer material de biossegurança”, lamentou uma das colegas, em lágrimas. Salientou que uma terceira pessoa foi socorrida e levada ao Hospital do Bucula, na província do Bengo, mas, devido ao apoio tardio prestado pela equipa do INEMA, não resistiu, tendo sucumbido pelo caminho.
Os colegas informaram ainda que, após o incidente, a direcção da empresa facilitou a fuga do responsável que lhes orientou a cumprir tal tarefa. José Pascoal Domingos Simão, irmão de Moisés Pascoal Domingos, lamenta o sucedido e, juntamente com outros familiares, manifestaram descontentamento com a direcção da referida empresa, acusando-a de ludibriar as famílias ao alegar que as vítimas trabalhavam há apenas cinco anos, com o intuito de reduzir o valor da indemnização exigida pelos familiares.
“O meu irmão está nesta empresa há mais de 10 anos; inclusive, empregou muita gente”, disse José, acrescentando que, durante as negociações com a direcção da empresa sobre a realização dos funerais, esta disponibilizou-se a apoiar nas despesas dos óbitos e, posteriormente, efectuar as indemnizações às famílias enlutadas.
A equipa de reportagem do Na Mira do Crime deslocou-se até à direcção da empresa para ouvir a sua versão sobre as acusações que pesam sobre si, onde se encontravam também equipas do SIC-Bengo e da Inspecção Geral do Trabalho (IGT) a trabalhar. No entanto, a mesma recusou-se a prestar declarações a qualquer órgão de imprensa.







