Trabalhadores da empresa "Big Pack" em Viana dizem-se “asfixiados” por despedimentos injustos quando tentam defender os seus direitos - Empregador nega e diz que não é bem assim
Os funcionários da empresa Big Pack, ligada à produção de caixas de papelão, localizada na zona industrial de Viana, denunciam a direcção da referida empresa, por alegadamente estar a violar os seus direitos, maltratá-los, não proporcionar equipamento de protecção contra riscos de acidentes, não velar pelo saneamento básico no local de trabalho, e dar água imprópria para o consumo. Para completar o “pacote”, envolve-se alegadamente em despedimentos de todos os trabalhadores que tentem reclamar ou defender os seus direitos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os trabalhadores avançaram à reportagem do Na Mira do Crime que as condições de trabalho na empresa são desumanas.
Os funcionários são obrigados a consumir água com a coloração esverdeada proveniente de fontes e canais sem limpeza, a trabalhar sem equipamentos de segurança no trabalho para a proteção dos riscos, obrigados a usar de casas de banho sem a devida manutenção e higienização, dentre outros os problemas que enfrentam.
Um dos funcionários que pediu o anonimato, que diz fazer parte de um grupo de seis trabalhadores recentemente despedidos, avançou que a empresa agiu de má-fé porque terão sido despedidos por exigirem respeito pelos seus direitos.
O trabalhador avançou que exigiram que a direcção da empresa parasse com os maus tratos e que respeitasse a vida dos trabalhadores, melhorando as condições de trabalho.
"O nosso dia de trabalho começa pontualmente às 8 horas da manhã, às 12 horas e 30 minutos vamos para o almoço.
A empresa não garante a comida, a alimentação é por nossa conta, cada um leva a sua própria comida e, precisamente às 13 horas todos devem voltar aos postos de trabalho, alguns apresentam situações de mal-estar devido ao pouco tempo para comer e fazer digestão", contou. O trabalhador sublinhou que o trabalho na Big Pack é de risco e muitos dos seus colegas terão sido alvo de acidentes por falta de meios de segurança de trabalho, outros contraíram problemas de saúde por consumirem água imprópria e muitos foram diagnosticados com infecção respiratória.
"O trabalho que se faz produz muito pó, e a empresa não atribui máscaras, e acabaram por ficar doentes, mas a direcção da empresa decidiu demitir-nos por termos reclamado por essas situações", explicou, acrescentando que os funcionários trabalham de segunda a sábado, quando houver dias de feridos com ponte são obrigados a trabalhar no dia de ponte.
"O nosso contrato é verbal, não temos folha de salário, recebemos o dinheiro a mão. O salário básico é de 100 mil Kwanzas, mas se o trabalhador tiver que faltar por doença ou óbito não é perdoado, fazem o desconto no salário e ainda lhe mandam queixar-se onde quiser, porque a queixa não resultará em nada", sublinhou o trabalhador.
Os despedidos clamam aos órgãos de direito que os ajudem a conseguir a indemnização e pedem que se faça uma inspecção rigorosa à referida empresa para que seja garantida a segurança dos funcionários e acabar com o ambiente desumano.
"Somos seis funcionários despedidos, alguns têm entre 4 e 5 anos de trabalho, não podemos ir para casa sem sermos indemnizados, inclusive não fomos pagos o último mês de trabalho.
Há muitas irregularidades e sabemos que os inspectores que passam pela Big Pack são corrompidos, vão apenas a busca de dinheiro e o mais agravante é que muitos deles, por terem problemas de documentação na condição de estrangeiros, fogem sempre que a inspecção aparece ", denunciou.
A nossa reportagem deslocou-se à referida empresa e foi recebida pelo senhor Edson Samuel que se apresentou como o responsável pela área administrativa. Começou por desmentir as acusações que pesam sobre a empresa de estar alegadamente a despedir injustamente os funcionários e avançou ter havido uma manifestação de alguns trabalhadores no interior da fábrica que desrespeitaram os regulamentos que regem a empresa assim como os seus superiores hierárquicos.
"São trabalhadores que já foram várias vezes submetidos a processos disciplinares, são reincidentes no cometimento de faltas, alguns chegam a faltar 10 ou 15 dias e desrespeitam os chefes.
Por estes e outros motivos, foram demitidos, mas os salários de Março, que foi o último mês deles de trabalho, serão atribuídos a qualquer momento”, explicou, referindo que quanto à indemnização, não deixa de ser um direito deles, serão indemnizados, mas eles querem que seja já.
"É um processo a ser seguido e eles devem esperar um pouco, hão de receber", garantiu. O administrativo disse terem cerca de 755 trabalhadores considerados culpados pela falta de equipamentos de segurança de trabalho, já que muitos desses efectivos, vendem-no para depois a empresa atribuir um outro.
“Quanto às casas de banho, eles não as cuidam, por isso estão sempre sujas, mas dou a mão à palmatória ao aceitar que temos problem na canalização da água e alguns trabalhadores consomem água imprópria", admitiu.







