Mais um caso: Mulher de 56 anos de idade com 19 anos de Polícia continua 3.ª Subchefe: Família denuncia injustiça na progressão de carreira e diz que a efectiva sente-se humilhada
É mais um dos vários casos que o Jornal Na Mira do Crime recebe, de efectivos da Polícia Nacional que reclamam da falta de progressão na carreira, em detrimento de outros efectivos que, com menos de 5 anos de casa conseguem ascender rapidamente.
Neste caso, os familiares de uma agente da Polícia Nacional identificada como Victória Fernando, de 56 anos de idade, colocada no Comando-Geral da Polícia Nacional, destacada no Comando Provincial de Luanda, denunciam alegadas irregularidades e injustiça na progressão da carreira da sua mãe, que ingressou na corporação em 2007 e, com 19 anos de serviço, permanece como 3.ª Subchefe.
Por: Laurentino Tchatuvela
Em declarações sob anonimato ao Jornal Na Mira do Crime, por receio de represálias, os filhos afirmam estar tristes e indignados com a situação, apelando à intervenção urgente das autoridades superiores. Segundo a família, a agente ingressou na corporação no dia 17 de Maio de 2007, tendo sido colocada no Comando Provincial de Luanda, na Divisão da Ingombota, onde trabalhou no Departamento de Administração e Serviços, na Secção de Recursos Humanos, como especialista, entre 2007 e 2011. Em Junho de 2011, foi transferida para a Divisão da Samba, actualmente no município de Talatona, onde continuou a desempenhar funções na mesma área.
Já em 2023, passou a exercer funções no Departamento de Administração e Serviços do Comando Geral, como oficial administrativa.
“Ela é uma mulher batalhadora, é mãe e pai ao mesmo tempo, viúva há mais de 20 anos, com quatro filhos”, explicaram.
Apesar do percurso, os familiares afirmam que a agente transitou apenas em 2022 para o regime especial da Polícia Nacional, na patente de 3.ª Subchefe, mesmo sendo licenciada em Administração Pública.
“Temos visto muitos efectivos com menos tempo de serviço a serem promovidos na patente de subinspector, enquanto a nossa mãe continua na mesma posição”, frisaram.
A família sustenta que a agente, actualmente com 56 anos de idade, encontra-se em fase de pré-reforma, o que poderá levá-la a reformar-se sem progressão significativa na carreira. “Ela nunca teve processo disciplinar, sempre cumpriu com o seu dever, mas mesmo assim não é contemplada”, lamentaram.
Os denunciantes alegam ainda que a agente não frequentou o curso básico de mobilidade por questões de idade, embora existam, segundo afirmam, casos de efectivos mais velhos que tiveram acesso.
“Não entendemos por que razão ela não foi promovida no processo dos 50 anos, quando outros foram contemplados”, questionaram. “Ela está muito triste, sente-se humilhada e está a perder a esperança, mas mesmo assim acorda todos os dias às 4 horas para ir trabalhar”, realçaram. De acordo com os denunciantes, a agente já procurou resolver a situação junto dos seus superiores hierárquicos, mas sem sucesso. “Já bateu várias portas e até agora nada foi resolvido”, acrescentaram.
“Pedimos ao senhor Ministro do Interior Manuel Homem e ao Comandante-Geral Francisco Ribas que olhem para o caso da nossa mãe, porque é muito delicado”, concluíram.
A nossa reportagem contactou o Porta-voz do Comando-Geral da Polícia Nacional, Subcomissário, Mateus Rodrigues, que promete se pronunciar em breve.







