No Calumbo: Agentes da Polícia da esquadra do "MINDEF" acusados de favorecer invasores na disputa de terreno
No município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, uma disputa por posse de terreno voltou a gerar tensão entre moradores, com denúncias de alegado envolvimento irregular de agentes da Polícia Nacional.
Por: Solange Figueira
O caso, que já havia sido noticiado pelo Jornal Na Mira do Crime em Dezembro de 2025, sobre alegada usurpação de um terreno com dimensões de 22 por 30 metros, localizado na primeira paragem do Zango 3, nas imediações do Restaurante de Pedras.
Quatro meses depois da publicação inicial, novos episódios foram registados. A cidadã Rosa Manuel António acusa a sua vizinha, identificada apenas como Irina, de tentar apropriar-se ilegalmente do espaço.
Segundo a denunciante, um grupo de mais de 20 indivíduos, vestidos de preto e com os rostos cobertos, terão tentado ocupar o terreno à força durante a semana em curso.
De acordo com o relato, os supostos invasores estariam acompanhados por dois agentes da esquadra do MINDEF, que, alegadamente, intimidaram familiares da proprietária durante a ação.
A denunciante afirma ainda que, horas antes da tentativa de ocupação, os agentes teriam sido vistos a conversar com a acusada, levantando suspeitas de conluio.
Rosa Manuel António sustenta que detém a posse legal do terreno desde 2011, mas alega que, desde 2025, tem sido alvo de sucessivas tentativas de invasão.
A mesma afirma não possuir recursos financeiros para sustentar uma disputa judicial e considera o espaço como herança familiar.
Domingos António, filho da denunciante, relatou que houve agressões físicas durante os confrontos e que a situação só foi controlada após a intervenção de fiscais da Administração do Calumbo, enviados por orientação do administrador local.
Acrescentou que, os fiscais apreenderam materiais de construção que seriam utilizados para erguer estruturas no terreno.
A equipa de reportagem deste jornal tentou ouvir a cidadã acusada, mas não obteve sucesso.
Contactada telefonicamente, Irina desligou a chamada após a identificação da jornalista. comportamento semelhante já registado na primeira reportagem, quando a acusada optou por não prestar declarações diretas.
Fonte policial ligada à esquadra do MINDEF, afirmou que os agentes estão orientados a não intervir em litígios de terrenos. A mesma fonte acrescentou que o comandante da esquadra encontra-se doente e que não foi emitida qualquer ordem para apoiar ou favorecer qualquer das partes envolvidas.







