Duas residências pilhadas e queimadas e um saldo de dois mortos é o resultado entre luta de duas facções rivais no bairro Malueca - População atirou a "toalha ao tapete"
Dois cidadãos nacionais, que em vida atendiam pelas alcunhas "Papá", de 25 anos de idade, e Capitão Kula João, conhecido por “33”, de 37 anos de idade, foram mortos durante confrontos entre grupos rivais, registados na manhã desta segunda-feira, 01, protagonizados pelos grupos “Os Kapatalho” e “BL”, que, segundo denúncias, têm aterrorizado o bairro Malueca, nas ruas do Mazola e Comandante Bula, no município do Cazenga.
Por: Adão Paxi
Segundo apurou o Jornal Na Mira do Crime nesta segunda-feira, 4, durante uma reportagem realizada no bairro Malueca, a rivalidade entre os grupos “Os Kapatalho” e “BL” é antiga, mas voltou a intensificar-se neste domingo, 2, após um confronto entre ambos que resultou na morte do jovem "Papá", integrante do grupo “Kapatalho”.
De acordo com Soba Kula, tio de uma das vítimas, o crime ocorreu por volta das 6 horas do dia referido, quando o seu sobrinho, identificado como “33”, dirigia-se à ponte do Malueca, onde trabalhava no carregamento e lotação de viaturas.
“Tudo isso aconteceu por causa da morte de um dos membros do grupo Kapatalho. Eles ficaram revoltados e passaram a proibir qualquer pessoa de circular naquela rua, independentemente de quem fosse", contou.
"O meu sobrinho vive comigo no mesmo quintal, embora em casas separadas. Ele trabalhava na ponte do Malueca como lotador. Na manhã de hoje, 4 de Maio, ele regressava de um óbito aqui no bairro. Chegou em casa por volta das 6 horas, tomou banho, vestiu-se e saiu para ir trabalhar”, relatou.
De seguida, contou o nosso entrevistado, foi alertado por vizinhos de que o sobrinho, “33”, estava a ser agredido com facas e catanas.
“Quando cheguei ao local, restavam apenas lágrimas e desespero. Já não havia nada que eu pudesse fazer. A cada golpe de catana que atingia o seu corpo, o sangue escorria. Queremos justiça, porque ele não tinha nada a ver com esse conflito. Era um jovem trabalhador”, lamentou.
Segundo Marcos Ndongala, morador da zona há mais de oito anos, já não se vive no bairro em tranquilidade, e muitos residentes estão a abandonar as suas casas em busca de maior segurança.
“Eu estava numa festa e acabei por dormir no casamento. A vizinha pensava que eu estava em casa, quando cheguei, por volta das 11 horas, ela informou-me que os jovens invadiram as residências, incendiaram duas casas e levaram botijas de gás e roupas. Se durante o dia entram e fazem isso, imagine à noite?”, lamentou.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o comandante municipal do Cazenga, superintendente-chefe Adão Correia Sebastião “Didi”, confirmou a ocorrência registada no bairro Malueca e assegurou que diligências estão em curso para a localização e detenção dos presumíveis autores do crime, que têm tirado o sossego dos moradores daquela zona.







