Anciã de 85 anos despejada pelo Tribunal da Comarca do Lubango depois de viver numa residência há 50 anos
Uma anciã de 85 anos de idade, de nome Albina Tchilepa, foi despejada, na sexta-feira (08), da residência onde vive há 50 anos, no centro da cidade do Lubango, província da Huíla, por orientação do Tribunal da Comarca local, situação que preocupa os familiares e pessoas próximas.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com a anciã, a família começou a habitar na referida residência em 1975, altura em que o imóvel se encontrava desabitado.
“Neste momento, eu e as minhas filhas estamos a dormir fora de casa, colocaram novas fechaduras nas portas da residência e no portão, e já não conseguimos ter acesso ao imóvel”, explicou.
“Os vizinhos têm ajudado com as refeições, desde o matabicho ao almoço e jantar”, frisou.
Segundo a anciã, apenas em 2017 apareceu um cidadão que se apresentou como legítimo proprietário da residência, sem, alegadamente, apresentar qualquer documento oficial que comprovasse a titularidade do imóvel.
O irmão mais novo da anciã, Délcio Américo, esclareceu que vive na residência desde a infância.
“Quando comecei a viver nesta casa tinha apenas quatro anos de idade, e actualmente tenho 44 anos”, disse.
Délcio Américo explicou ainda que, depois de algum tempo, surgiu um cidadão identificado como Magalhães, alegando ser proprietário da residência.
“Na altura, começámos a pagar renda ao referido cidadão, mas mais tarde apercebemo-nos de que ele também não era dono da residência, as informações que obtivemos indicavam que a casa estaria registada em nome de um senhor chamado Diogo”, realçou.
O familiar acrescentou que, em 2017, o Tribunal da Comarca do Lubango terá emitido uma sentença de despejo favorável ao cidadão Magalhães.
Por sua vez, o activista cívico Agnaldo Araújo condenou o posicionamento do Tribunal da Comarca do Lubango e lamentou a falta de intervenção das autoridades governamentais da província da Huíla.
“Neste momento, a família enfrenta enormes dificuldades e nenhum governante da província interveio para acolher a anciã”, referiu.
O activista afirmou ainda que no portão da residência não consta qualquer documento judicial de embargo.
“O juiz que sentenciou este caso deve ser chamado a esclarecer correctamente a situação”, sublinhou.
Agnaldo Araújo apelou igualmente ao Governo Provincial da Huíla para acompanhar o caso com urgência.
“O Governo Provincial da Huíla deve tomar nota desta situação e resolvê-la o mais rápido possível, caso contrário teremos de encontrar outras formas de contestar o caso”, concluiu.







