Na Huíla: Troca de corpo de criança de um ano e seis meses na morgue gera revolta
Uma família vive momentos de dor e indignação após o desaparecimento do corpo de uma criança do sexo feminino de um ano e seis meses que havia sido depositado na morgue do Hospital Municipal de Quipungo, província da Huíla, depois de a menor ter falecido durante o trajecto para uma unidade sanitária, alegadamente por doença.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com a mãe da malograda, Fernanda Francisca Vananga, natural do município de Quipungo e actualmente residente na província de Luanda, falando em exclusivo ao Na Mira do Crime, tudo aconteceu quando decidiu deslocar-se à sua terra natal.
“Quando decidi visitar a minha terra natal, a minha bebé começou a sentir-se mal, daí, levei-a para o hospital, mas, ao longo do percurso, ela perdeu a vida, isso aconteceu no dia 24 de Abril do corrente ano”, explicou.
“Como o meu esposo estava em Luanda, quando lhe comuniquei sobre a morte da criança, ele disse para não realizarmos já o enterro e orientou que levássemos a bebé para a morgue”, referiu.
“No dia seguinte, assim que o meu esposo chegou, junto com outros membros da família fomos ao Hospital Municipal de Quipungo, mas não encontramos o corpo da bebé na morgue”, frisou.
“Na morgue havia apenas dois corpos. A minha bebé tinha um ano e seis meses, enquanto a outra criança tinha um ano e um mês”, esclareceu.
“Quando tentámos perceber junto dos seguranças o que tinha acontecido, chamaram a Polícia Nacional e o SIC para resolver o caso”, sublinhou.
“Quando fomos ao comando, disseram para regressarmos no dia seguinte, no período indicado nessa altura, expliquei que a outra família, quando foi levantar o corpo do seu ente-querido, levou uma urna pequena e, por essa razão, teve de comprar outra maior.
Isso tudo indica que, quando colocaram a minha filha na urna, perceberam que não servia, porque ela era maior em relação à outra criança”, relatou.
A mãe questiona ainda o facto de a outra família não ter confirmado se estava ou não a retirar o corpo errado, bem como a ausência dos seguranças durante o procedimento.
“Assim que foram comprar uma outra urna maior, acabaram por levar a minha filha e enterraram-na no domingo”, lamentou, acrescentando que pediu à polícia e o SIC para que fosse realizada uma exumação, para se ter certeza de que a criança sepultada era ou não sua filha, porém disseram-lhes que isso não seria possível de imediato.
Argumentaram que tinham que tratar um documento dirigido à Procuradoria Geral da República (PGR), processo que poderia demorar entre dois a três meses.
“Um dos elementos da outra família durante discussão no hospital local, afirmou que tinha noção de que estavam a levar um corpo que não tinha nada a ver com o deles, mas, por medo, insistiram em levar, tanto os seguranças como a outra família sabiam que se estava a levar a minha filha”, denunciou.
“Peço às autoridades competentes que façam alguma coisa para que seja realizada a exumação, para que a nossa família tenha certeza sobre o sucedido”, apelou.
A mesma denúnciou que, alguns efectivos da Polícia e do SIC terão mantido encontros reservados num beco, com a outra família nas instalações do hospital municipal, levantando suspeitas de alegado suborno para abafar o caso.
A denunciante fez saber que os agentes passaram posteriormente a impedir qualquer tentativa de acompanhamento da sua parte, orientando-lhes apenas a recorrer a outras instâncias competentes.
“Deixámos a urna que havíamos comprado na morgue do hospital de Quipungo e, até ao momento, ninguém nos diz nada”, concluiu.
Segundo dados a que este jornal teve acesso, o SIC confirmou a detenção de dois funcionários internos da morgue do referido hospital, por alegada negligência nas circunstâncias em que tiveram intervenção no caso.
Outra informação obtida pelo SIC indica que o funcionário que assumiu o turno retirou o corpo deixado pelo colega e colocou-o num outro local.
Apurou-se que a família acusada terá retirado o corpo da morgue por intermédio de membros de uma igreja, que se deslocaram para lá e procederam ao levantamento do cadáver.







