Avaliada em mais de 261 milhões de kwanzas: Obra da Escola Primária Engrácia Cabenha abandonada há mais de cinco anos preocupa moradores no Cazenga
Os moradores do bairro Tunga-Ngó, no município do Cazenga, em Luanda, manifestam profunda preocupação e indignação com a paralisação das obras da Escola Primária Engrácia Cabenha, um projecto público avaliado em mais de 261 milhões de kwanzas, que se encontra abandonado há mais de cinco anos, apesar de apresentar cerca de 70 por cento de execução física.
Por: Adão Paxi
De acordo com Domingos Vunge Balanganga, de 71 anos de idade, coordenador do bairro Tunga-Ngó, que falou em exclusivo ao Jornal Na Mira do Crime, a infra-estrutura escolar, composta por 12 salas de aula, foi lançada com grande expectativa em 2021 pelo então administrador municipal do Cazenga, Tomás Bica Mumbundo.
O projecto, enquadrado no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), tinha um prazo de execução de apenas sete meses, mas, até ao momento, continua inacabado, sem qualquer esclarecimento oficial às comunidades locais.
“Nós, como representantes da comunidade, sentimo-nos profundamente preocupados com o estado em que esta obra se encontra. Esta escola foi apresentada à população como um grande projecto para melhorar a educação das nossas crianças, mas infelizmente passou-se muito tempo e até hoje nada foi concluído. O povo precisa de respostas concretas das autoridades, porque a educação é um direito fundamental e não podemos continuar a ver as nossas crianças sem condições adequadas de aprendizagem”, lamento o coordenador.
Os moradores denunciam que, após a retirada dos seguranças e de parte dos materiais de construção por parte do empreiteiro, o espaço passou a servir de esconderijo para delinquentes, agravando a insegurança na comunidade.
Donana Teresa, de 45 anos de idade, moradora do bairro, lamentou a situação e afirmou que o projecto, que deveria representar desenvolvimento para a juventude local, transformou-se num foco de criminalidade.
“Esta escola era para ajudar as nossas crianças, mas hoje tornou-se um lugar perigoso. Muitas jovens são assaltadas e algumas acabam até violadas neste espaço abandonado. Pedimos às autoridades que olhem para esta situação com urgência”, disse.
Já Augusto Adão Diogo, outro residente da zona, criticou o silêncio das autoridades e a falta de respostas às preocupações apresentadas pela população.
“Escrevemos à área de planificação da Administração, mas até hoje não recebemos nenhuma resposta. O povo sente-se abandonado e enganado”, afirmou.
Por sua vez, o presidente da associação “Delinquência Fora das Ruas”, Matias Rodrigues, questionou o destino dos fundos públicos investidos no projecto e exigiu responsabilização.
“Queremos saber para onde foi o dinheiro desta obra e por que razão ela nunca foi concluída dentro do prazo estabelecido”, questionou.
Enquanto isso, o chamado “capela”, como é conhecido o edifício inacabado, continua a preocupar os moradores, que temem pelo aumento da criminalidade e da insegurança no bairro Tunga-Ngó.
O Na Mira do Crime apurou que, a obra foi orçada em 261.915.715,09 kwanzas, enquanto a fiscalização esteve avaliada em 12.571.954,32 kwanzas. A empresa SUBIRC (Gestão de Projectos, Consultoria e Fiscalização) foi responsável pela fiscalização, ao passo que a empreitada esteve a cargo da empresa ISAAC Construção.
Contactada pelo Jornal Na Mira do Crime, a Administração Municipal do Cazenga prometeu pronunciar-se sobre o assunto. Contudo, até ao momento, não houve qualquer pronunciamento oficial.







